O documentário "Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura" será lançado ao público nesta quinta-feira (23), revisitando o emblemático assassinato do jornalista Vladimir Herzog, ocorrido há 50 anos. Produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), o filme narra a trajetória do jornalista, professor e cineasta, torturado e morto por agentes da ditadura militar.
Com depoimentos de amigos, colegas de redação e familiares, o documentário estará disponível no canal do ICL no YouTube às 19h. Os realizadores esperam que os relatos esclareçam o impacto nacional e o simbolismo da morte de Herzog na luta pela democracia no Brasil.
Antônio Farinaci, diretor e roteirista do filme, enfatizou à Agência Brasil a necessidade de criar um interesse renovado pela já conhecida história de Herzog, trazendo elementos inéditos à narrativa. Conhecido por investigar temas históricos e sociais, Farinaci lidera um projeto que visa recriar o ambiente dramático vivido por Herzog, utilizando uma linguagem visual inovadora.
Nascido na Iugoslávia, Herzog fugiu do nazismo para o Brasil, onde sua morte foi registrada pela ditadura como suicídio. Este episódio transformou-se em um marco emblemático da resistência e da luta pela liberdade de imprensa.
Márcia Cunha, diretora executiva de conteúdo do ICL, destacou que embora a história de Herzog já tenha sido abordada em diversas obras, este documentário foca no impacto do crime em si, examinando a semana anterior e posterior ao assassinato para ilustrar os métodos da ditadura.
Devido à ausência de imagens da época, muitos arquivos foram destruídos ou perdidos. A produção utilizou storyboards em estilo de quadrinhos para representar as situações vividas por Herzog. "Optamos por narrar os momentos críticos de tensão, prisão e tortura com essa linguagem", comentou Márcia Cunha, ressaltando a colaboração com a artista Paula Villar.
O impacto do crime foi considerável, revelando divisões dentro do regime militar. Cunha reforça que o documentário capta essa repercussão em direção ao fim da ditadura no Brasil.
A produção também explora a polêmica fotografia de Herzog, inicialmente usada para alegar um suicídio falso, desafio que foi desmentido ao longo dos anos pela luta incansável de sua viúva, Clarice Herzog. Um podcast, "Caso Herzog – A foto e a farsa", complementa o documentário, investigando como essa imagem se tornou crucial na busca pela verdade.
O fotógrafo responsável pela captura crucial da imagem tinha apenas 22 anos e seu trabalho ajudou a desvendar a verdade. Márcia Cunha destaca a importância de transmitir essa história para futuras gerações, alertando para os perigos de se esquecer um passado tão significativo.