O Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, passa a contar com um novo espaço dedicado à cultura, ciência e educação ambiental: a Casa do Homem Pantaneiro. O local, inaugurado durante a 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada entre os dias 23 e 29 de março, integra a programação do evento internacional sediado em Mato Grosso do Sul e permanecerá como um legado aberto à população mesmo após o término das atividades oficiais.
A Casa do Homem Pantaneiro foi estruturada no interior do Parque das Nações Indígenas para receber, ao longo de toda a semana, o projeto "Conexão Sem Fronteiras". A programação conta com debates temáticos, atividades culturais, exposições fotográficas e sessões de cinema, sempre com entrada gratuita e livre ao público.
No início da tarde de abertura oficial do espaço, o governador Eduardo Riedel esteve presente acompanhado da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Na ocasião, ambos apresentaram as iniciativas previstas para o local durante e após a COP15, destacando o papel da Casa do Homem Pantaneiro como equipamento de fomento institucional e estrutural à conservação ambiental.
"Este espaço será permanente para a educação ambiental. Todo o Parque [das Nações Indígenas] vai passar por revitalização, uma mudança muito grande na parte elétrica, no espaço esportivo. Então nesse local que já é o grande parque de Campo Grande, onde a população vem em massa, vamos ter a Casa do Homem Pantaneiro como o legado para a educação ambiental", ressaltou Eduardo Riedel ao comentar sobre o projeto e anunciar melhorias no entorno do parque.
O governador salientou ainda que a Casa do Homem Pantaneiro foi instalada próxima ao Bioparque Pantanal, espaço que ele considera "belíssimo" e fundamental para o papel social de conscientização ambiental, com atendimento a estudantes da rede pública, visitantes da cidade, de outros estados e também do exterior.
"É um local [Bioparque] onde há ciência, pesquisa e tecnologia, além do turismo lá dentro. Quem vier aqui em Mato Grosso do Sul, especificamente ao Bioparque e aos Parque das Nações Indígenas, vai ter a oportunidade de conhecer aqui na Casa do Homem Pantaneiro também um pouco mais sobre o Pantanal, ter um aprendizado em relação a esse bioma. Então é um espaço que fica aí para Campo Grande e para todo o Estado", completou Riedel.
A ministra Marina Silva manifestou entusiasmo com a entrega do espaço e ressaltou o esforço conjunto do governo federal, estadual, municipal e de organizações da sociedade civil para a concretização do projeto.
"Aqui tem cultura, aqui mostra como a gente pode usar [recursos naturais] sem destruir. Nessa casa não vamos ter fronteira. Aqui cabe o pantaneiro, cabe o trabalhador, o empresário, todos nós por um Brasil e um mundo mais sustentável, em que espécies migratórias possam dar continuidade ao fluxo da vida", declarou Marina Silva.
A estrutura "Conexão Sem Fronteiras", montada especialmente para a COP15, tem como objetivo principal a promoção do diálogo, da cultura e da sensibilização socioambiental. O espaço integra linguagens diversas, como cinema, exposições temáticas, encontros e debates, de forma a ampliar o alcance das discussões sobre conservação ambiental para além dos ambientes institucionais.
Entre terça-feira (24) e domingo (29), a agenda contempla debates sobre temas centrais da COP15, incluindo conservação de espécies migratórias, conectividade entre biomas, mudanças climáticas e defesa de habitats. Exposições fotográficas, sessões de cinema e atividades culturais também marcam presença durante os dias de funcionamento do espaço.
Com foco em estimular o engajamento da sociedade frente aos desafios atuais da biodiversidade, os eventos dão destaque à conservação de espécies migratórias, aos impactos das mudanças climáticas e ao reconhecimento dos saberes e territórios tradicionais. A proposta é incentivar reflexão crítica, fomentar o diálogo coletivo e potencializar a mobilização em torno das agendas socioambientais apresentadas na COP15.
Entre os principais destaques está a mostra "Cine Pantanal", composta por produções audiovisuais que abordam o contexto socioambiental do bioma. O objetivo é promover a interação entre cinema e natureza como ferramenta de conscientização. Também integra a programação a exposição "Pantanal Conecta", que apresenta as dinâmicas ecológicas e culturais do Pantanal, enfatizando inter-relações, ciclos naturais, efeitos das mudanças climáticas e impactos do uso dos recursos naturais.
A programação do espaço será segmentada por temas ao longo da semana. Já na abertura, os debates tratam sobre aves migratórias, turismo de observação e conhecimentos tradicionais. Os dias seguintes ampliam o foco para os ecossistemas marinhos, com abordagem específica sobre a biodiversidade do Atlântico Sul.
No terceiro dia, o Pantanal é o tema central, com discussões sobre estratégias para proteção de habitats, prevenção de incêndios e medidas para conservação de grandes mamíferos. O encerramento técnico da semana enfatiza paisagens aquáticas, áreas úmidas e rotas migratórias, reforçando a conexão entre biomas e a articulação de políticas públicas pertinentes. Nos fins de semana, a programação é expandida para incluir atividades específicas para crianças e famílias, como sessões de cinema, rodas de conversa e ações educativas, ampliando ainda mais o alcance social do evento.
O "Conexão Sem Fronteiras" também se destaca como ambiente de valorização da pluralidade de narrativas, ao abrir espaço para contribuições de fotógrafos, cineastas e instituições parceiras. A iniciativa evidencia a relevância estratégica do audiovisual e das expressões artísticas no processo de sensibilização social e na construção de uma narrativa coletiva em prol da conservação da biodiversidade.
A realização do projeto conta com o apoio de parceiros como o GEF Terrestre, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Global Environment Facility (GEF) e a iniciativa Documenta Pantanal. A coordenação é do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em articulação com o Governo Federal.
O Governo de Mato Grosso do Sul participa com ações integradas de diferentes secretarias para assegurar a realização da COP15, promovendo debates globais e, ao mesmo tempo, incentivando o turismo e o desenvolvimento econômico regional, consolidando Mato Grosso do Sul como destino internacional de relevância.