Nesta terça-feira, 24 de março de 2026, os Correios anunciaram a implantação gradativa da escala de trabalho 12 horas por 36 horas de descanso, conhecida como 12x36, em atividades específicas da estatal. A medida faz parte do Plano de Reestruturação da empresa e será implementada conforme a demanda operacional, focando em áreas que exigem funcionamento contínuo e agilidade, principalmente devido ao crescimento do comércio eletrônico.
A iniciativa busca modernizar os fluxos operacionais e aumentar a eficiência dos serviços prestados pelos Correios, ajustando os turnos e equipes ao ritmo real da operação. Segundo a empresa, a adoção da jornada 12x36 visa ampliar a capacidade operacional, fortalecendo o posicionamento dos Correios no segmento de encomendas diante da concorrência crescente. A implementação seguirá rigorosamente a legislação trabalhista e garantirá os direitos dos funcionários.
O comunicado da estatal ressalta que a introdução da escala não ocorrerá de forma automática, mas sim conforme a necessidade dos serviços nas áreas estratégicas. Essa flexibilização da jornada representa um diferencial competitivo, potencializando a capacidade de entrega e agilidade nos processos. A mudança está alinhada ao esforço da empresa para adaptar-se às exigências do mercado e ampliar a eficiência operacional.
“A jornada flexível se consolida como um diferencial competitivo relevante, ao ampliar a capacidade operacional dos Correios e fortalecer o posicionamento da empresa frente à concorrência no segmento de encomendas.”
O foco principal da escala 12x36 são os setores que demandam funcionamento ininterrupto, garantindo maior agilidade na entrega dos produtos, aspecto essencial no contexto do avanço do comércio eletrônico no país. A medida integra um conjunto de ações para modernizar e estabilizar a estatal financeiramente, buscando melhor adequação das equipes ao ritmo dos negócios.
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) manifestou-se contrária à adoção da jornada 12x36, argumentando que a medida precariza ainda mais as condições laborais e sobrecarrega os funcionários. A entidade alerta para o impacto negativo na saúde e no bem-estar dos trabalhadores, que são essenciais para o funcionamento da empresa.
“Não aceitaremos acordos individuais que fragilizam a organização coletiva. A orientação é para não assinar e manter a unidade da categoria.”
A Fentect declarou que os empregados estão se organizando para evitar a implementação da escala e que responderão com mobilização e resistência em todo o país caso haja retirada de direitos. A federação está construindo uma reação nacional para barrar as mudanças que considera retrocessos nas garantias trabalhistas.
Os Correios enfrentam um processo urgente de reestruturação devido a um déficit anual superior a quatro bilhões de reais, patrimônio líquido negativo de 10,4 bilhões de reais e prejuízo acumulado de 6,057 bilhões de reais até setembro de 2025. A queda nos indicadores de qualidade e liquidez agravou a situação financeira da estatal, exigindo medidas emergenciais para sua estabilização.
Em dezembro de 2025, a empresa anunciou a captação de 12 bilhões de reais em crédito para financiar o plano de reestruturação. Como parte das medidas previstas, os Correios planejam o fechamento de mil agências e lançaram um Plano de Desligamento Voluntário, com expectativa de adesão de até 15 mil empregados, além da venda de imóveis ociosos para reforçar o caixa.
O primeiro leilão de imóveis próprios ocorreu em fevereiro de 2026, ofertando 21 propriedades avaliadas para venda imediata, distribuídas em 11 estados brasileiros, incluindo Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso e São Paulo, entre outros.