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IBGE revela que 40% dos adolescentes já sofreram bullying nas escolas brasileiras

Pesquisa do IBGE aponta aumento na recorrência de episódios e destaca diferenças entre vítimas e agressores

25/03/2026 às 14:57
Por: Redação

Quatro a cada dez estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos relatam já terem sido vítimas de bullying nas escolas, conforme pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 25 de março de 2024. Destaca-se que 27,2% desses jovens afirmam ter sofrido humilhações em duas ou mais ocasiões, evidenciando um problema recorrente no meio escolar.

 

Os dados são resultado da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que colheu depoimentos em escolas de todo o Brasil. Em comparação à edição anterior, realizada em 2019, houve um aumento de 0,7 ponto percentual no total de estudantes que afirmaram ter passado por bullying, enquanto a parcela que relatou episódios múltiplos subiu mais de quatro pontos percentuais, segundo o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi.

 

Principais números e características do bullying

A pesquisa revelou que 39,8% dos adolescentes consultados sofreram bullying, com percentual maior entre meninas, que chegam a 43,3% contra 37,3% dos meninos. Entre as motivações mais comuns para as agressões estão a aparência do rosto ou cabelo, citada em 30,2% dos casos, seguida da aparência do corpo, apontada por 24,7%. A cor ou raça também foi motivo de violência para 10,6% dos estudantes.


"O bullying já é caracterizado como algo persistente, intermitente… E nós observamos aqui uma tendência de aumento, o que indica que mais estudantes passaram a vivenciar situações repetidas de violência", explicou Marco Andreazzi.


Além disso, 26,3% dos alunos que sofreram bullying relataram não compreender a razão das agressões, o que evidencia a natureza coletiva e arbitrária do fenômeno, tornando as vítimas frequentemente incompreendidas e desamparadas.

 

Perfil dos agressores e motivações dos ataques

Em relação aos autores das agressões, 13,7% dos estudantes admitiram praticar bullying, com maior incidência entre os meninos (16,5%) em comparação às meninas (10,9%). As razões apontadas para o comportamento agressivo coincidem, em grande parte, com as causas relatadas pelas vítimas, destacando-se a aparência e questões relacionadas à cor ou raça.

 

Outro aspecto evidenciado é a discrepância entre as motivações reconhecidas por agressores e vítimas: 12,1% dos autores indicaram ter praticado bullying em função do gênero ou orientação sexual do colega, enquanto apenas 6,4% das vítimas reconheceram essa razão. Da mesma forma, 7,6% dos agressores relataram agir devido a deficiência da vítima, contra 2,6% dos que sofreram bullying por essa causa.


Segundo pesquisadores, essa diferença sugere que muitas vítimas optam por não revelar os motivos dos ataques, possivelmente por medo ou receio de estigmatização.


Esse silêncio pode dificultar intervenções eficazes e agravar o impacto emocional nos estudantes, configurando um desafio adicional para gestores e educadores.

 

Formas de agressão e ações nas escolas

Quanto às modalidades de violência, 16,6% dos alunos relataram ter sofrido agressões físicas praticadas por colegas, índice que sobe para 18,6% entre os meninos. Além disso, a proporção dos que sofreram tais agressões repetidamente aumentou de 6,5% para 9,6% desde 2019. O bullying virtual, por sua vez, apresentou leve declínio, passando de 13,2% para 12,7%, sendo as meninas as principais vítimas, com 15,2% relatando humilhações ou ameaças através de redes sociais ou aplicativos.

 

Por fim, o levantamento abordou o suporte oferecido pelas escolas: somente 53,4% dos estudantes frequentavam unidades participantes do Programa Saúde nas Escolas (PSE), que promove ações de bem-estar. Dentre estas, 43,2% desenvolveram atividades específicas para prevenir bullying e apenas 37,2% atuaram no combate a brigas escolares, indicando lacunas nas estratégias preventivas.

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