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Livro revisita escravidão nos EUA por meio de narrativas de escravizados

Rafael Cardoso lança obra que destaca relatos inéditos no Brasil sobre escravizados e abolicionismo.

08/02/2026 às 16:06
Por: Redação

O jornalista Rafael Cardoso lançou nesta semana no Rio de Janeiro o livro Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos, pela editora Dialética. A obra oferece uma perspectiva inédita ao examinar a escravidão nos EUA através dos olhos dos próprios escravizados.

 

O livro é resultado do mestrado em história na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO). Segundo Cardoso, a publicação inverte a lógica comum de estudos sociais, onde acadêmicos norte-americanos investigam o Brasil, ao trazer um brasileiro estudando os Estados Unidos.

 

Em sua pesquisa, Cardoso se depara com a rica disponibilidade de relatos escritos por pessoas que fugiram do sul escravista dos EUA para o norte abolicionista. Essas narrativas em primeira pessoa são escassas no Brasil, já que a maioria dos escravizados era analfabeta.

 

“Nós não tivemos no Brasil esse tipo de texto, de narrativa em primeira pessoa”, observa Cardoso.


No Brasil, os historiadores tiveram que recorrer a documentos como certidões de batismo e registros de cartório para tentar reconstruir histórias semelhantes. Há, no entanto, uma exceção: a Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, um raro relato de um escravizado africano no Brasil.

 

Douglass e Grimes

Cardoso foca em dois protagonistas históricos: Frederick Douglass (1818-1985), um influente líder abolicionista, e William Grimes (1784-1865), barbeiro. Ambos publicaram autobiografias nos anos 1800, as quais oferecem um vislumbre essencial sobre as transformações sociais nos EUA daquela época.

 

O pesquisador destaca como, em suas autobiografias, Douglass e Grimes ilustram o impacto de laços familiares, relações sociais e contextos políticos sobre suas vidas pessoais, vislumbrando a influência de estruturas econômicas e sociais sobre as escolhas de vida.

 

Para Rafael Cardoso, que também é repórter da Agência Brasil, o estudo da história aprimora sua visão crítica e analítica, ferramentas essenciais para seu trabalho ao relatar pautas sociais e ambientais.

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