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Lula propõe reserva estratégica para regular combustíveis no Brasil

Presidente sugere formação de estoques nacionais para garantir abastecimento e proteger preços

20/03/2026 às 20:11
Por: Redação

Durante evento realizado nesta sexta-feira, 20 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de o Brasil estruturar uma reserva estratégica de combustíveis. O objetivo desta medida seria assegurar a estabilidade dos preços e garantir o abastecimento interno diante de possíveis episódios de instabilidade global.

 

Ao discursar em Minas Gerais, durante a cerimônia de anúncio de aportes da Petrobras, Lula relatou ter sugerido à presidente da companhia, Magda Chambriard, a necessidade de se planejar, de forma estratégica e em longo prazo, a constituição desse estoque regulador, mesmo reconhecendo que o processo é demorado e requer articulação entre a estatal e o governo federal.

 

O presidente manifestou preocupação com a intensificação de conflitos no Oriente Médio, citando em especial o Estreito de Ormuz, ponto por onde circula relevante parcela da produção mundial de petróleo. Ele questionou os possíveis efeitos caso a guerra se prolongue ou se o Irã bloquear a exportação de petróleo pela região, além de mencionar o risco de agravamento da crise caso os Estados Unidos promovam ações militares no local.

 

“Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador, para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje. E se essa guerra durar 30 dias, durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz? E se os Estados Unidos resolverem estourar o Estreito de Ormuz, a crise vai ser pior”, acrescentou.


 

Dependência de importação e vulnerabilidade

 

Atualmente, o Brasil não dispõe de reservas estratégicas de petróleo, mantendo apenas estoques operacionais voltados a evitar falta de combustíveis nos postos entre a importação de navios e o refino nacional. O país ainda precisa recorrer ao mercado externo para suprir cerca de 30% da demanda interna de diesel, o que eleva a exposição a choques decorrentes de crises internacionais.

 

Lula argumentou que, mesmo com custos elevados, a criação de reservas estratégicas proporcionaria mais soberania e protegeria o Brasil contra movimentos especulativos em tempos de adversidade global. Ele fez referência às reservas cambiais brasileiras, que atingiram 364,4 bilhões de dólares em janeiro deste ano, como exemplo de proteção nacional construída ao longo dos anos.

 

“Graças a essa reserva que nós começamos a fazer a 2005, até hoje o Brasil enfrenta todas as crises mundiais sem se abalar. Nós temos muita verdinha [dólar] [...], e eu não posso mexer na reserva porque ela garante a soberania desse país”, disse.


 

Durante o pronunciamento, Lula também anunciou que serão feitos investimentos para modernizar e, se necessário, construir novas refinarias, além do desenvolvimento de um programa de produção e estocagem de combustíveis, com planejamento estratégico.

 

“Certamente, os Estados Unidos têm estoque para uns 30 dias. Como eles vivem em guerra, eles têm que ter estoque. Certamente, a China tem estoque. Certamente, a Rússia tem estoque”, argumentou Lula.


 

Expansão da capacidade produtiva e transição energética

 

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira a destinação de nove bilhões de reais para investimentos na Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, Minas Gerais. Lula ressaltou que, durante o governo anterior, a unidade esteve sob processo de desinvestimento e operava com apenas 60% da capacidade instalada.

 

Atualmente, a Regap alcançou 98% de utilização, com processamento e refino de 170 mil barris de petróleo diariamente. O plano de investimentos prevê aporte de 3,8 bilhões de reais para ampliar a produção para 200 mil barris por dia até o fim de 2027. Para um horizonte de cinco anos, estão previstos investimentos de 5,2 bilhões de reais, que permitirão atingir a marca de 240 mil barris diários.

 

No mesmo evento, foi inaugurada uma usina de geração fotovoltaica destinada a reduzir em 20% o consumo de eletricidade da refinaria. O projeto contou com recursos do Fundo de Descarbonização da Petrobras, mecanismo criado para financiar ações que diminuam as emissões de carbono nas operações da empresa.

 

Segundo o governo federal, as iniciativas implementadas reforçam a capacidade de produção de combustíveis da Regap, promovem a transição para fontes energéticas mais limpas, geram empregos e ampliam a confiabilidade operacional da unidade.

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