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MS se torna destaque mundial em policiamento restaurativo nas aldeias

Iniciativa inovadora une segurança pública e culturas indígenas no Mato Grosso do Sul

05/03/2026 às 15:08
Por: Redação

Com o objetivo de integrar segurança pública e povos indígenas, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) finalizou a primeira edição do Curso de Formação em Justiça e Policiamento Restaurativo. Essa iniciativa, inédita no mundo, consolidou o estado como referência internacional na adoção de um novo modelo de segurança pública.

 

O curso, financiado pelo Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp), capacitou 38 agentes de segurança pública, incluindo policiais militares e civis, bombeiros e peritos criminais. Os participantes, de municípios como Campo Grande e Dourados, atuam diretamente em comunidades indígenas como Maracaju, Caarapó e Amambai.

 

Interação com as comunidades indígenas

Para a subtenente Lusmária da Silva Oliveira, parte do Programa Mulher Segura Indígena em Dourados, a formação destacou a importância do diálogo com comunidades indígenas. A policial ressaltou: “Essa capacitação é essencial para nossa atuação junto às comunidades, exigindo sensibilidade e compreensão cultural dos profissionais de segurança”.


“É uma valiosa oportunidade de aprendizado e troca”, afirmou a subtenente.


O cabo da Polícia Militar Caio Cézar Barbosa Maidana reforçou a importância do curso, afirmando que aprender sobre justiça restaurativa facilita a criação de relações de confiança e cooperação entre polícia e comunidade, prática já comum nas comunidades indígenas através do diálogo.

 

Aporte multicultural na formação

O curso contou com a participação de oito indígenas, enriquecendo debates e promovendo integração entre alunos e palestrantes. Essa participação permitiu a troca de perspectivas sobre as realidades comunitárias, aprofundando o entendimento de policiamento e justiça restaurativa.


Roseli Souza, da aldeia Bororó, destacou o fortalecimento da parceria com a polícia através do aprendizado oferecido pelo curso.


O cacique Célio Francelino Fialho ressaltou a similaridade entre o modelo de justiça restaurativa e as práticas indígenas tradicionais de mediação e paz. “Essa integração com as forças de segurança gerou várias propostas valiosas”, afirmou.

 

Educação e intercâmbio internacional

A formação combinou teoria e prática, abrangendo 30 horas e incluindo estudos de caso reais. Facilitada por figuras renomadas na justiça restaurativa, como o pesquisador Dr. Nicholas Jones, a iniciativa visou aproximar comunidades através do reconhecimento institucional e do intercâmbio global.


Dr. Nicholas Jones destacou a importância da iniciativa para a aproximação e empatia entre povos.


Além dele, palestrantes como Kátia Roncada, do CNJ, e Theo Gavrielides participaram, compartilhando conhecimentos que cruzam fronteiras culturais. Essas trocas enriqueceram o entendimento de práticas preventivas na resolução de conflitos.

 

Desdobramentos locais e futuros treinamentos

Mato Grosso do Sul, com a terceira maior população indígena do Brasil, experimenta crescente diálogo intercultural, conforme destaca Fernando Souza, subsecretário para Povos Originários. Ele salienta que a capacitação aprimora a interação com as populações indígenas, respeitando sua cultura e organização social.


O secretário-adjunto José Francisco Sarmento Nogueira reforça a necessidade de aproximar o Estado de todos os cidadãos, independentemente de suas origens.


Com o sucesso da iniciativa, a formação será expandida para municípios como Dourados e Ponta Porã, ampliando o intercâmbio com países vizinhos e fortalecendo a cooperação transfronteiriça. Essas ações alinham Mato Grosso do Sul com modelos globais de policiamento e justiça restaurativa.

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