O ministro das Cidades, Jader Filho, anunciou nesta segunda-feira, dia 24, a intenção do governo federal de avançar significativamente na regularização de áreas da União ocupadas por milhares de famílias em diversas regiões do país. A iniciativa prevê não só a doação de terrenos federais a famílias que já os habitam, mas também o pagamento de todas as despesas relacionadas ao processo de legalização fundiária, abrangendo custos cartoriais, georreferenciamento e outros encargos associados.
De acordo com o ministro, o projeto atenderá especialmente regiões onde a insegurança jurídica sobre propriedades é maior, como a Região Norte, ampliando a proteção aos ocupantes desses territórios. O plano foi apresentado durante sua participação no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em conjunto com o Canal Gov e transmitido pelos canais da Empresa Brasil de Comunicação.
A nova política será viabilizada a partir de uma parceria firmada no final de novembro de 2025 entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Segundo os termos apresentados, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) fará a doação das áreas, enquanto o Ministério das Cidades assumirá todos os custos administrativos e técnicos para efetivar a regularização fundiária das famílias.
A SPU, do Ministério da Gestão e Inovação, vai dar o terreno às famílias. E nós, dentro do Ministério das Cidades, vamos pagar todo o processo de cartório, de georreferenciamento e de legalização.
O governo calcula que, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), serão investidos cerca de 500 milhões de reais em ações destinadas a garantir a titularidade definitiva aos atuais ocupantes de áreas públicas federais. Para Jader Filho, a regularização fundiária é uma questão de justiça com famílias que vivenciam a incerteza em relação à posse de seus lares, muitas delas há décadas em situação irregular.
Dados do ministério revelam que, em diversas cidades brasileiras, mais da metade das áreas urbanas não possuem regularização fundiária adequada, o que compromete a estabilidade jurídica e dificulta o acesso a políticas públicas. O titular da pasta defende que a legalização das terras vai proporcionar melhores condições de vida e segurança patrimonial para milhares de famílias, especialmente nas periferias e centros urbanos mais afetados pela informalidade.
Se temos uma família que já mora há tantos anos numa área pública federal, não é justo que o governo federal não doe essa área para essa família e que nós não possamos fazer o processo de regularização, de legalização, para que esta família possa ter o título definitivo da área.
Outro destaque da proposta é o engajamento da Secretaria Nacional das Periferias na coordenação do projeto, o que indica foco especial nas regiões mais vulneráveis à ausência de regularização e de serviços públicos estruturantes, fatores que historicamente agravaram as desigualdades sociais.
O anúncio também reforça o alinhamento das ações entre diferentes esferas do governo para acelerar o trâmite burocrático, oferecendo apoio técnico às prefeituras e facilitando o acesso das famílias aos títulos de propriedade em uma escala inédita. Casos de sucesso já começam a surgir, como a cessão de áreas para municípios regularizarem milhares de imóveis e a celebração de acordos para acelerar processos fundiários em diferentes estados ao longo de 2025 e 2026.
Ao priorizar a concessão definitiva dos títulos, o governo projeta impactos positivos sobre a estabilidade social, valorização dos imóveis e inclusão de famílias em políticas de habitação, infraestrutura e crédito. Ao mesmo tempo, a condução transparente do processo busca evitar conflitos fundiários futuros e fortalecer a cidadania e o desenvolvimento regional.