A Polícia Civil de Mato Grosso iniciou, na manhã desta terça-feira, 24 de março de 2026, a terceira etapa da Operação Codinome Fantasma, voltada para desarticular o núcleo financeiro de uma facção criminosa atuante no norte do estado, envolvida em crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Durante esta fase da operação, as ações judiciais expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop determinaram o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca domiciliar. Além disso, foram emitidas 30 ordens de bloqueio de contas bancárias dos investigados, apreensão de veículos de carga e passeio, suspensão das atividades comerciais de quatro empresas relacionadas à facção, bem como o sequestro de nove imóveis identificados como adquiridos com recursos oriundos de lavagem de dinheiro. O total apreendido supera dez milhões de reais em bens e valores.
Os mandados são cumpridos nas cidades mato-grossenses de Sinop, Santa Carmem, São José dos Quatro Marcos, Várzea Grande e Cuiabá. Fora do estado, as diligências também ocorrem em Anápolis, no estado de Goiás, e em Barra de São Francisco, no Espírito Santo. As ações contam com a colaboração de equipes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) das Polícias Civis de Goiás e do Espírito Santo.
Segundo a Polícia Civil, a terceira etapa da operação foi desencadeada com base em dados coletados ao longo das fases anteriores. A Draco de Sinop, por meio de técnicas especializadas de investigação financeira, reuniu provas materiais e indícios que apontam para a autoria dos crimes de lavagem de dinheiro provenientes do tráfico de drogas na região norte de Mato Grosso.
O delegado responsável pela investigação, José Getúlio Daniel, detalha que o trabalho da unidade tem como metas prioritárias a prisão de integrantes do alto escalão da facção criminosa, a apreensão de drogas e armas de fogo associadas a esses grupos e a desarticulação do sistema financeiro das facções.
"Nas primeiras fases operacionais, foi realizada a prisão de mais de 10 gerentes do tráfico de drogas de Sinop. No início do mês de março, a grande apreensão de drogas resultou em um prejuízo de mais de 25 milhões de reais na fronteira, além da atuação na investigação financeira e patrimonial, combatendo de forma severa a lavagem de dinheiro", afirmou o delegado.
Em 2026, as ações realizadas pela Polícia Civil integram o planejamento estratégico da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero, que tem como objetivo o combate às facções criminosas em Mato Grosso. O nome "Pharus" faz alusão à palavra latina para farol, simbolizando a atuação constante do Estado na identificação e enfrentamento de práticas ilícitas.
A operação também faz parte da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), composta por delegados das unidades especializadas e promotores de Justiça dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A Renorcrim é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com o objetivo de desenvolver estratégias de inteligência voltadas para o combate sistêmico à criminalidade organizada.
Os esforços dessa terceira etapa da Operação Codinome Fantasma demonstram o avanço do trabalho integrado e especializado na repressão à atuação financeira de facções criminosas, com repercussão direta em diferentes estados brasileiros e prejuízo milionário às estruturas do crime organizado.