Em 7 de abril, o Dia do Médico-Legista serve para destacar a importância que esses profissionais desempenham tanto na elaboração de provas técnicas que dão suporte a investigações criminais quanto no atendimento direto a pessoas vítimas de violência. Na estrutura da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), médicos-legistas atuam como elo entre os campos da medicina e do direito, colaborando de forma direta com o sistema de segurança pública.
O diretor-geral da Politec, Jaime Trevizan, ressalta o valor estratégico dessa função, enfatizando que a atuação do médico-legista é indispensável para garantir a credibilidade das provas periciais que sustentam decisões judiciais. Ele aponta que essa ocupação exige não apenas domínio técnico, mas também responsabilidade e comprometimento com a coletividade.
Segundo o médico-legista Willer da Cruz Zaghetto, a carreira está intensamente vinculada à produção de provas fundamentais para processos judiciais criminais. Ele explica que a atuação envolve traduzir o conhecimento médico para ser compreendido por operadores do direito, seja no atendimento a vítimas de crimes, seja na condução de autópsias.
“Atuamos interpretando o universo médico para os operadores do direito, seja no atendimento de vítimas de violência, seja na realização de autópsias”, explica.
Zaghetto ressalta como um dos maiores desafios da profissão manter o rigor técnico-científico durante a confecção dos laudos. Para aprimorar a precisão das perícias, investimentos em inovação tecnológica são considerados fundamentais. Como exemplo, ele cita o uso da luz forense, técnica empregada especialmente para identificar lesões em pessoas de pele mais escura.
Para a médica-legista Verônica Brandão, a atuação desses profissionais não se limita ao exame técnico: existe também uma função social. Ela aponta que, além de elaborar laudos, o objetivo é transformar positivamente a vida das vítimas. O exercício da medicina legal, nesse contexto, exige sensibilidade, pois o atendimento é voltado a pessoas fragilizadas pela dor e pela vulnerabilidade.
“Mais do que produzir laudos, buscamos fazer a diferença na vida das vítimas. É um trabalho que exige sensibilidade, pois lidamos com pessoas em situação de dor e vulnerabilidade”, afirma.
Brandão também ressalta a necessidade do acolhimento, sobretudo em casos relacionados a violência. Ela destaca que gestos de suporte e palavras de incentivo podem alterar de maneira significativa a experiência de quem enfrenta esse tipo de situação, além de reforçar o papel do médico-legista na orientação e conscientização dessas pessoas.
A médica-legista Renata Miranda reforça a importância de que os exames médicos-legais sejam realizados com agilidade, especialmente nos casos de violência. Ela recomenda que as vítimas procurem registrar a ocorrência e se dirijam ao Instituto Médico Legal o mais breve possível, já que as marcas das agressões podem desaparecer ao longo do tempo.
“O ideal é que a vítima registre a ocorrência e procure o Instituto Médico Legal o quanto antes, pois as lesões podem desaparecer com o tempo”, explica.
Renata destaca que, nos casos de violência sexual, a rapidez é ainda mais crucial para garantir a coleta adequada dos vestígios necessários ao exame. Ela orienta que, caso haja necessidade de atendimento médico emergencial, essa deve ser a prioridade inicial, mas reforça que os procedimentos periciais precisam ser realizados o quanto antes.
“Se houver necessidade de atendimento médico, essa deve ser a prioridade, mas a perícia deve ser feita o mais rápido possível”, orienta.
Outro aspecto mencionado por Renata é o crescimento do número de atendimentos, especialmente de mulheres que denunciam agressões. Ela observa que há um movimento crescente dessas vítimas em busca de atendimento, elemento fundamental para garantir a responsabilização do agressor.
“Temos observado que mais vítimas estão denunciando e buscando atendimento, o que é fundamental para responsabilizar os agressores”, afirma.
No âmbito do Instituto Médico Legal, o atendimento é estruturado para priorizar a humanização, oferecendo espaços reservados às vítimas, escuta qualificada e respeito durante todas as etapas do processo.
A data de 7 de abril representa também um momento de valorização dos médicos-legistas e de reflexão sobre o papel desempenhado por esses profissionais perante a sociedade. Conforme destaca Willer da Cruz Zaghetto, o exercício dessa função equivale a reafirmar diariamente o compromisso de servir à população com zelo, contribuindo diretamente para a construção de uma sociedade pautada na justiça e no respeito às vítimas.