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Rodada de negócios amplia oportunidades para artesãos de Mato Grosso do Sul

Evento reúne 30 artesãos e 10 lojistas de cinco estados para fortalecer vendas e parcerias

19/03/2026 às 15:46
Por: Redação

A Semana do Artesão 2026 foi realizada de 18 a 25 de março e consolidou-se como um dos principais eventos para promover e valorizar o artesanato de Mato Grosso do Sul, reunindo uma série de atividades como feira de exposição, oficinas, palestras, apresentação cultural e uma rodada de negócios, com o objetivo de fortalecer a economia criativa e difundir a cultura local.

 

Na quinta-feira, 19 de março, data em que é celebrado o Dia do Artesão, ocorreu a Rodada de Negócios, considerada uma das iniciativas centrais do segmento, por possibilitar a comercialização contínua das peças produzidas ao longo de todo o ano.

 

Durante o evento, artesãos de diferentes municípios do estado tiveram a chance de estabelecer contato com lojistas de diversas regiões do Brasil, inclusive dos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Bahia, criando oportunidades para parcerias e vendas a longo prazo. Ao todo, 30 artesãos participaram desta edição, que recebeu 10 lojistas convidados.

 

As atividades foram organizadas pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), em cooperação com o Sebrae MS.

 

Katienka Klain, gerente de desenvolvimento de atividades artesanais da FCMS, avaliou a rodada de negócios como um cenário de grande visibilidade para o artesanato de Mato Grosso do Sul, ressaltando que o artesanato local é apresentado a lojistas do varejo de todo o país, com foco nas vendas em atacado e na logística facilitada para transporte das peças pelas equipes da Fundação de Cultura.

 

“A Rodada de Negócios é um projeto em que trazemos lojistas de varejo do Brasil inteiro para comprar o artesanato de Mato Grosso do Sul. Então é uma venda atacada, eles vêm, compram e a gente transporta pelo caminhão da Fundação de Cultura essas peças de artesanato. A gente tem feiras que são esporádicas, feiras nacionais, mas é na Rodada de Negócios que o lojista tem o contato, conhece, compra e leva para a sua loja. Com essas vendas, que são vendas de uma loja diária, sempre aberta, vendendo, ele está sempre comercializando, está sempre comprando e encomendando do lojista”, destacou.

 

Ela ainda observou o crescimento da demanda por peças manuais, detalhando que os consumidores valorizam produtos que contam histórias, como crochê e bordado. Katienka revelou que a comercialização de artesanato na rodada anterior alcançou o valor de 600 mil reais em vendas.

 

Isabella Fernandes Montello, gerente da Unidade de Competitividade e Inovação do Sebrae/MS, reforçou que o artesanato do estado é reconhecido nacionalmente e muito procurado no mercado, graças à sua forte origem étnica e inspiração na natureza, flora e fauna da região, o que contribui para o posicionamento diferenciado e o interesse contínuo dos compradores.

 

Na avaliação de Marco Aurélio Saad Pulcherio, de 64 anos, CEO e Curador da Marco500, uma marca de alta decoração, a rodada de negócios possibilita que artesãos expandam suas vendas para outros estados e até internacionalmente. Segundo ele, lojistas têm a possibilidade de conhecer de maneira direta os produtos de diferentes regiões, ampliando assim o acesso ao artesanato local e viabilizando encomendas e relacionamentos comerciais importantes para o crescimento dos negócios.

 

“É uma chance que nós do atacado temos de ter acesso de uma forma rápida ao trabalho da região toda, normalmente os recortes são regionais, artesanato do pantanal, artesanato do estado, da cidade, por exemplo. Os lojistas são convidados vêem e conhecem o trabalho dos artesãos, e têm a oportunidade de negociar fazer encomendas é o grande propulsor desse artesão para além do ateliê. No meu caso eu tenho um olhar muito fechado porque eu trabalho no mercado de alta decoração, mas tem aqueles que vem comprar para lojas de souvenir, têxtil, eu tenho alguns reguladores para o meu negócio, mas tem os meus colegas, que trocamos figurinhas e as rodadas são boas para construir essas relações entre lojistas e artesãos”, frisou.

 

Entre os participantes, Yani Stamm Hirsch, de 42 anos, moradora de Naviraí, destacou seu envolvimento com o artesanato extrativista, utilizando madeiras recuperadas de áreas queimadas do Pantanal para criar obras de arte. Ela relatou que o artesanato extrativista tornou-se sua principal atividade, permitindo que mulheres em situação de vulnerabilidade tenham acesso a uma matéria-prima acessível para geração de renda.

 

“O meu artesanato ele migrou por várias fases, hoje eu trabalho com uma parte de artesanato extrativista, que é uma arte que eu me apaixonei. Quando eu comecei foi com ele também, ele surgiu na minha vida pelo mesmo motivo que hoje eu dou aula para outras mulheres em situação de vulnerabilidade, porque é uma matéria-prima que você encontra na natureza e você pode transformá-la em uma obra de arte. Você não precisa gastar dinheiro para começar”.

 

“Você consegue resgatar uma cápsula de uma semente e uma folha e ir trabalhando nela de uma forma bem econômica e fazer disso uma peça para vender, para ganhar dinheiro, para sustentar suas famílias e para poder também eternizar uma parte da natureza. Hoje nosso artesanato é baseado no artesanato extrativista. São madeiras recuperadas em áreas de incêndio do Pantanal, madeiras recuperadas em antigas fazendas e trabalhamos também com galhos, folhas, tudo de uma maneira muito sustentável”.

 

Renato Stamm Hirsch dos Santos, de 16 anos, iniciou sua trajetória no artesanato aos 14 anos por influência da mãe e por meio do Prospera MS, tornando-se representante da segunda geração de artesãos extrativistas na família. Ele relatou que pretende continuar na profissão e incentivar outros jovens a seguir pelo mesmo caminho.

 

“Eu comecei com 14 anos no Prospera MS e comecei artesanato, eu acho que é uma coisa que os jovens não estão muito ligados a profissão de artesão, meu plano é continuar no artesanato e motivar as pessoas jovens a fazer artesanatos”

 

Além disso, Renato também atua na produção artesanal de erva de tereré, realizando a colheita no assentamento do avô e mantendo o processo de fabricação tradicional, sem conservantes, resultando em um produto 100% orgânico e artesanal.

 

A Semana do Artesão 2026, além da rodada de negócios, proporcionou a realização de exposições, oficinas, palestras e apresentações culturais, promovendo a integração entre artesãos, lojistas, compradores e o público em geral, fortalecendo a identidade cultural e a economia criativa de Mato Grosso do Sul.

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