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Trump proclama 'era de ouro' em discurso marcado por otimismo e tensões

Presidente dos EUA defende gestão econômica, mas enfrenta baixa aprovação, protestos e críticas à política externa e de imigração

25/02/2026 às 16:09
Por: Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em seu Discurso sobre o Estado da União, na terça-feira (24 de fevereiro de 2026), que inaugurou a "era de ouro da América". Ele buscou projetar uma aura de sucesso para sua administração, mesmo diante da queda significativa nos índices de aprovação pública e do aumento da frustração dos eleitores norte-americanos antes das cruciais eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026.

 

Atendendo aos apelos de parlamentares republicanos, que expressavam preocupação com a possibilidade real de perderem a maioria no Congresso ainda em 2026, Trump dedicou a primeira hora de sua fala à economia. Ele afirmou ter desacelerado a inflação, impulsionado o mercado de ações a níveis recordes, assinado reduções fiscais significativas e baixado os preços dos medicamentos para a população.

 

"Nossa nação está de volta — maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca", disse Trump após subir ao palco sob aplausos de seus colegas republicanos no Congresso.


Apesar do otimismo presidencial, a sua avaliação positiva não conseguiu acalmar a crescente indignação dos norte-americanos em relação ao custo de vida. Trump tentou culpar seu antecessor democrata, Joe Biden, pelos preços elevados, mas pesquisas de opinião mostraram consistentemente que os eleitores o responsabilizavam por não ter agido mais para aliviar a crise de acessibilidade após a campanha incessante sobre o tema.

 

O discurso anual ao Congresso ocorreu em um momento particularmente desafiador para a presidência de Trump. Além da maioria dos americanos insatisfeita com seu desempenho, havia o aumento da ansiedade em relação ao Irã e o notório fracasso de sua política tarifária, após a Suprema Corte do país ter derrubado a maioria dos impostos de importação implementados pela sua administração.

 

Política Externa e Omissões

Durante grande parte do discurso, Trump manteve uma postura incomumente disciplinada, parecendo seguir rigorosamente o roteiro preparado e evitando suas habituais digressões espontâneas. Contudo, ele dedicou pouco tempo à política externa, apesar de ter concentrado grande parte de suas energias no cargo em questões internacionais, o que gerou questionamentos por parte de analistas.

 

Trump afirmou novamente que "encerrou" oito guerras, uma declaração considerada um exagero por especialistas. Ele mal mencionou a Ucrânia, justamente na terça-feira que marcava o quarto aniversário da invasão russa, ocorrida em 24 de fevereiro de 2022. O presidente também não abordou a China, principal rival econômico dos Estados Unidos, nem a Groenlândia, território semiautônomo dinamarquês que anteriormente ameaçara tomar.

 

Ainda na seara internacional, Trump não ofereceu clareza sobre seus planos para o Irã, em meio a crescentes sinais de que os Estados Unidos estariam se aproximando perigosamente de um conflito militar com Teerã. A comunidade internacional aguardava definições mais precisas sobre a estratégia americana para a região, mas estas não foram apresentadas.

 

"Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia", disse. "Mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo, que é de longe o Irã, tenha arma nuclear."


 

Confrontos Domésticos e Imigração

Quando Trump voltou ao seu tema favorito, a imigração, ele repetiu a mesma retórica que animou sua campanha de 2024, alegando que os migrantes sem documentos eram responsáveis por uma onda de crimes violentos. Contudo, diversos estudos independentes mostram que tal correlação não é verdadeira, contradizendo as afirmações do presidente.

 

“Vocês deveriam ter vergonha”, disse ele aos democratas, repreendendo-os por se recusarem a financiar o Departamento de Segurança Interna, a menos que fossem tomadas medidas para coibir as táticas agressivas dos agentes de imigração.


As pesquisas de opinião revelaram que a maioria dos norte-americanos acreditava que a repressão à imigração de Trump havia ido longe demais, especialmente após dois cidadãos serem mortos a tiros por agentes federais mascarados em Minneapolis. A deputada democrata Ilhan Omar, representante de um distrito de Minneapolis, gritou em sua direção: “Você matou norte-americanos!”, durante o discurso.

 

O presidente atacou os democratas por não apoiarem a exigência de identificação do eleitor, alegando falsamente que a fraude eleitoral no país era generalizada há anos. Os democratas, por sua vez, argumentaram que a legislação apoiada pelos republicanos imporia encargos desnecessários aos eleitores e suprimiria injustamente a participação eleitoral de minorias e grupos vulneráveis.

 

O deputado democrata Al Green foi retirado da Câmara pela segunda vez consecutiva, após acenar para Trump com um cartaz que dizia: “Os negros não são macacos”. A mensagem era uma referência a um vídeo postado por Trump nas redes sociais, que retratava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, vídeo este que a Casa Branca posteriormente retirou.

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