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Indignação e Dor no Rio: 121 Mortos Após Operação Policial

Comunidades da Penha e Alemão lideram protestos exigindo justiça para vítimas.

31/10/2025 às 20:50
Por: Redação
Moradores dos complexos da Penha, Alemão e diversas favelas no Rio de Janeiro se uniram nesta sexta-feira em manifestação contra a recente Operação Contenção, que resultou em 121 mortes. Mesmo com chuva, o protesto teve início num campo de futebol na Vila Cruzeiro, parte da Penha, prosseguindo em caminhada até a Avenida Brasil. Dentre os manifestantes, estavam mães que perderam seus filhos em ações policiais passadas, como Liliane Santos Rodrigues, cuja dor foi renovada ao lembrar de seu filho Gabriel, de 17 anos, morto durante uma perseguição policial. Desde o ocorrido há seis meses, Liliane busca respostas e teme pela segurança da filha de nove anos. O relato emocional de Liliane descreve noites sem dormir e o temor que reviveu com os tiros em sua vizinhança. Nádia Santos, do Complexo do Chapadão, também sentiu o peso da tragédia ao rememorar a morte de seus filhos, Cleyton e Cleyverson, em operações anteriores. "O governo não oferece oportunidades. Quando ele não cuida, o tráfico acolhe", desabafou, criticando a política atual que, segundo ela, extermina os sonhos da juventude. Adriana Santana de Araujo, mãe de Marlon, morto em uma operação no Jacarezinho em 2021, revelou que foi alvo de notícias falsas que associaram sua imagem a uma foto com fuzil. O episódio a obrigou a se mudar após 40 anos no Jacarezinho para fugir de ameaças. "Vim apoiar essas mães porque sei da dor. Enterram nossos filhos, mas também nos enterram vivas", declarou. A manifestação também atraiu representantes de movimentos sociais. Raimunda de Jesus, dirigente sindical, pontuou que tais ações não ocorrem em áreas ricas e criticou a discriminação contra moradores da periferia. "O Estado deve cuidar de sua população e não nos tratar como inimigos", afirmou. Segundo as autoridades estaduais, a operação visou cumprir mandados contra o Comando Vermelho, mobilizando 2,5 mil agentes, tornando-se a maior em 15 anos. Das 121 vítimas, 117 eram civis e quatro policiais. Já foram identificados 99 indivíduos, dos quais 78 tinham antecedentes criminais. Entidades de direitos humanos denunciam o evento como "massacre", e a comunidade relatou sinais de tortura nos corpos. O governo estadual justificou a operação como necessária para combater o crime organizado, mas moradores e especialistas levantam a questão da desproporcionalidade da força utilizada.

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