MP do Rio exige câmeras corporais após 121 mortes em operaçãoA medida busca esclarecer as 121 mortes em uma operação que apreendeu 118 armas e realizou mais de 100 prisões nos complexos da Penha e Alemão.O Ministério Público do Rio de Janeiro determinou a verificação das câmeras corporais utilizadas pelos policiais que atuaram na Operação Contenção. A ação, realizada na terça-feira, dia 28, nos complexos da Penha e Alemão, resultou em 121 óbitos, incluindo quatro policiais. Mais de cem pessoas foram presas e 118 armas, majoritariamente fuzis, além de 14 artefatos explosivos, foram apreendidas.Antônio Campos Moreira, o procurador-geral de Justiça do Estado, ressaltou que o acesso e a análise das imagens são essenciais para a apuração das mortes registradas durante a operação.Questionado sobre o número de câmeras empregadas pelos policiais na operação, o procurador esclareceu que todas as informações sobre o ocorrido dependem, inicialmente, da apresentação de um relatório detalhado por parte de ambas as polícias envolvidas. Ele afirmou que, com o recebimento desse relatório, das imagens, dos primeiros laudos de necropsia, dos laudos de confronto balístico e dos depoimentos iniciais já colhidos pela Polícia Civil, o Ministério Público produzirá suas próprias análises independentes. Somente a partir desse conjunto de dados será possível obter uma visão técnica mais precisa sobre os fatos.O procurador descreveu o cenário da operação como uma “verdadeira guerrilha urbana” e reconheceu a complexidade da investigação, mencionando que parte dos confrontos ocorreu em uma área de mata fechada. No entanto, garantiu que todos os protocolos já acionados permitirão formar uma visão segura e estritamente técnica dos acontecimentos.Antônio Campos Moreira informou que serão coletados depoimentos não apenas da cadeia de comando, mas também de todos os envolvidos, desde a autorização e o planejamento da operação até os responsáveis pela execução das diligências. Ele acrescentou que pessoas dispostas a testemunhar sobre os fatos também serão ouvidas.O procurador destacou que o Ministério Público dispõe de uma estrutura que, paralelamente ao monitoramento das operações policiais, mantém um canal direto de comunicação com a população. Ele assegurou que todos os que buscarem o órgão serão recebidos com dignidade, terão suas informações registradas e, a partir desse conjunto de dados, será construída uma visão técnica rigorosa sobre o problema.