A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, efetivada neste sábado (22 de novembro de 2025), foi publicamente defendida por ministros do governo como um ato que segue rigorosamente os ritos do devido processo legal. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, enfatizou que tanto o Supremo Tribunal Federal (STF) quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) observaram todas as etapas da ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado no Brasil, citando o risco de fuga e a iminência do trânsito em julgado da condenação.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, fundamentou-se na avaliação de um risco concreto de fuga do ex-mandatário, apontado como o "chefe da organização golpista", especialmente diante da proximidade da execução de sua pena. Este cenário foi complementado, conforme a ministra, pelos antecedentes de um processo marcado por violentas tentativas de coação à Justiça, incluindo o "tarifaço" e as sanções da Magnitsky, que pesaram na determinação da medida cautelar.
Gleisi Hoffman reiterou a importância de que, em um Estado democrático de direito, a justiça seja plenamente cumprida, e que a prisão de Bolsonaro alinha-se a esse princípio fundamental. A ministra destacou a necessidade de se observarem todos os ritos legais para garantir a estabilidade institucional e a devida responsabilização dos envolvidos nos eventos que buscaram romper a ordem democrática do país.
"A decisão do ministro Alexandre de Moraes está fundamentada nos riscos reais de fuga do chefe da organização golpista, na iminência do trânsito em julgado de sua condenação para cumprimento da pena."
A ministra também apontou que a determinação de Moraes levou em conta o histórico de pressões e tentativas de intimidação sobre o sistema judiciário, o que, para ela, reforça a seriedade com que o caso tem sido conduzido pelas mais altas esferas da Justiça. A prisão preventiva surge, assim, como uma medida essencial para assegurar a aplicação da lei e prevenir qualquer tipo de obstrução à justiça.
Em consonância com o posicionamento governamental, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, também se manifestou em suas redes sociais. Ele afirmou categoricamente que "ninguém está acima da democracia" e que não se pode "trair a pátria impunemente", reforçando a mensagem de que a lei deve ser aplicada a todos.
Boulos afirmou que ninguém pode trair a pátria impunemente, e que a prisão de Bolsonaro, pela tentativa de golpe de Estado, deve representar um grande marco histórico para que "Ditadura nunca mais!" prevaleça.
Um dia antes da efetivação da prisão, Boulos já havia expressado preocupação com a fuga de outros indivíduos ligados ao ex-presidente. Ele citou os casos de Carla Zambelli (PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), que, segundo o ministro, teriam deixado o Brasil para evitar a prisão, levantando a questão se o ex-presidente não adotaria a mesma estratégia caso não estivesse em prisão domiciliar.
A prisão preventiva de Bolsonaro foi desencadeada pelo ministro Alexandre de Moraes em resposta à convocação de uma vigília para este sábado nas proximidades da residência do ex-presidente, onde ele cumpria prisão domiciliar. A decisão foi justificada pela potencial geração de tumulto e pela possibilidade de que a aglomeração pudesse facilitar uma eventual tentativa de fuga do réu.
Além disso, Moraes informou que, na madrugada do dia da prisão, foi detectada uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica que o ex-presidente utilizava. Bolsonaro, já condenado a 27 anos e 3 meses de prisão na ação penal referente ao Núcleo 1 da trama golpista, terá uma audiência de custódia agendada para amanhã, domingo (23), e sua defesa já comunicou que irá recorrer da decisão.
O ex-presidente estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto de 2025, uma medida determinada após o descumprimento de cautelares previamente impostas pelo STF. As restrições incluíam o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de acessar embaixadas e consulados, de manter contato com diplomatas e autoridades estrangeiras, e de utilizar redes sociais, seja diretamente ou por meio de terceiros. A expectativa é que as penas de Bolsonaro e dos demais réus possam ser executadas nas próximas semanas, marcando um novo capítulo no desdobramento judicial.