O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que a cobertura vacinal dos 16 imunizantes obrigatórios no calendário nacional tem apresentado crescimento significativo desde 2023, um indicativo positivo na luta contra doenças preveníveis. As declarações foram proferidas durante sua participação no Programa Bom Dia, Ministro, transmitido pelo CanalGov na manhã desta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, onde destacou, contudo, que o negacionismo e a disseminação de informações falsas permanecem como barreiras cruciais a serem superadas.
Padilha ressaltou que a propagação de mentiras sobre vacinação afeta diretamente a rotina dos profissionais de saúde e a segurança das famílias brasileiras, sendo um dos maiores desafios enfrentados na área. Para combater essa onda de desinformação, o Ministério da Saúde e a Advocacia-Geral da União (AGU) estão colaborando ativamente em ações judiciais, visando coibir a atuação de indivíduos, incluindo médicos e vendedores de cursos anti-vacinação, que lucram com a disseminação de inverdades.
Apesar dos desafios impostos pelo negacionismo, o ministro afirmou categoricamente que o Brasil está progredindo nesta luta, embora a vitória ainda não seja completa. Um exemplo dessa melhora é a situação do sarampo, doença que registrou seu segundo caso no estado de São Paulo no último sábado, 13 de dezembro de 2025, em um homem que não havia sido vacinado e que tinha histórico de viagem internacional.
O negacionismo é um dos fatores que mais impactam negativamente o dia a dia dos profissionais de saúde e a vida das famílias brasileiras, com pessoas espalhando mentiras e, infelizmente, até auferindo lucros com essa prática.
É importante salientar que, assim como os casos em São Paulo, todos os outros 36 registros da doença no país em 2025 tiveram sua origem em outros países, sem evidência de circulação interna do vírus. Esse cenário permite que o Brasil mantenha o certificado de país livre da doença, um status que havia sido perdido em 2019, quando mais de 21,7 mil infecções foram confirmadas no território nacional, demonstrando uma recuperação significativa.
A expectativa do ministro Padilha é que o ano de 2025 finalize com uma cobertura vacinal superior à de 2024. No ano anterior, o Ministério da Saúde já havia reportado um expressivo crescimento de 180% no número de municípios que alcançaram a meta de 95% de imunização do calendário vacinal essencial, um marco que reflete os esforços contínuos para reverter a queda nos índices de vacinação observada em anos anteriores.
A luta contra a desinformação na vacinação está progredindo, mas ainda exige esforços contínuos e a vitória completa não foi alcançada.
Em relação à dengue, o ministro Padilha anunciou que a imunização dos profissionais de saúde com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, cujo registro foi publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 8 de dezembro, deve ser iniciada até o final de janeiro de 2026. Esta medida preventiva visa proteger aqueles que estão na linha de frente do combate à doença antes do período de maior incidência.
A vacinação terá seu início programado para o final de janeiro, estendendo-se por todo o mês de fevereiro e março, garantindo que os profissionais de saúde estejam mais protegidos no período mais crítico da dengue.
No mesmo período, cidades como Botucatu, em São Paulo, e Maranguape, no Ceará, serão palco de uma ação de aceleração da vacinação contra a dengue. Esta iniciativa representa o pontapé inicial de um plano de imunização mais abrangente, que será implementado em todo o país conforme a produção da vacina seja escalonada para atender à população em larga escala. Estudos apontam que alcançar 40% de cobertura vacinal em uma cidade pode ser suficiente para efetivamente controlar a doença naquele local.