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Gravidez na Adolescência e Desigualdade: Um Desafio Brasileiro

Redução de casos é crucial para diminuir a desigualdade social no país.

21/10/2025 às 19:29
Por: Redação

Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou, na terça-feira (21), que diminuir a desigualdade no Brasil e na América Latina está diretamente relacionado à redução dos casos de gravidez na adolescência. Para ele, é crucial colocar essa questão no centro das discussões políticas, além de promovê-la em escolas e espaços religiosos.

“Não tem como enfrentar esse tema sem promover um profundo diálogo com as lideranças religiosas que estão em nossos territórios”, declarou Padilha em um evento do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em Brasília.

O Ministério da Saúde está reestruturando a atenção primária para que os trabalhadores de saúde conheçam melhor os territórios em que atuam, uma prática afetada pela pandemia de covid-19.

“Não tem como enfrentar a gravidez na adolescência no Brasil se a gente não conseguir entrar nas igrejas que estão nos nossos territórios, sobretudo aquelas que tentam esconder o protagonismo, o papel e a importância das mulheres”, afirmou Padilha.

Ele também ressaltou que as igrejas são os principais espaços de acolhimento para comunidades vulneráveis e reforçou a importância de discutir a gravidez na adolescência nas escolas.

O evento "Futuro Sustentável – Prevenção da Gravidez na Adolescência na América Latina e Caribe" busca fortalecer a cooperação e políticas públicas para reduzir a gravidez na adolescência. Segundo a UNFPA, a América Latina e o Caribe têm a segunda maior taxa de fecundidade adolescente do mundo, apenas atrás da África Subsaariana, com uma adolescente tornando-se mãe a cada 20 segundos, totalizando cerca de 1,6 milhão de nascimentos anuais.

A UNFPA destaca a ligação entre gravidez na adolescência, pobreza, evasão escolar e desigualdade de gênero. No Brasil, 12% dos nascidos vivos têm mães adolescentes.

“Não se pode falar em gravidez desejada ou planejada na adolescência, que ocorre muitas vezes por falta de acesso a tecnologias, informação e direitos básicos de proteção contra a violência”, afirmou Padilha. Ele mencionou os impactos econômicos, educacionais e sociais para a mulher e seus filhos.

Padilha defende que esse tema esteja no centro das agendas governamentais e sociais, pois os jovens geralmente não têm espaço para pressionar a sociedade sobre suas necessidades.

“Às vezes, outros temas das mulheres chegam pela força do movimento, pela pauta, pela história [...]. [Os temas da adolescência] não chegam porque, às vezes, não interessa a toda a indústria farmacêutica, como a saúde da mulher, como o tema do câncer, do câncer de mama, de tecnologias que significam alto custo”, comentou Padilha.

O assunto será abordado pelo Brasil na reunião dos ministros do Mercosul, com o país na presidência do bloco.

Durante o evento, Padilha enfatizou a necessidade de reorganizar tecnologias assistenciais para criar espaços seguros de escuta e promover o acesso à saúde aos adolescentes. No Brasil, destacou a caderneta digital do adolescente e a incorporação do implante contraceptivo Implanon pelo SUS.

“Achar que a gente vai atingir essas pessoas na nossa forma tradicional de organizar os serviços de saúde é não reconhecer que a gente está em um século absolutamente diferente, sobretudo essa geração que está muito à frente de cada um de nós”, disse.

Em um projeto piloto, o Implanon mostrou ser a melhor tecnologia para adolescentes, e o ministério trabalha para garantir seu amplo acesso, inclusive por enfermeiros na atenção primária.

Padilha sugere pensar em programas de transferência de tecnologia e assistência técnica para a América Latina, assegurando a sustentação e acessibilidade dos programas de saúde regional, similar à cooperação em vacinação.

“Quando a América Latina se une e encontra semelhanças na sua diversidade, conseguimos construir políticas públicas mais fortes e que alteram com mais eficácia e rapidez a realidade da nossa região”, concluiu Padilha.

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