A economia brasileira viu a indústria encerrar 2025 com um crescimento de 0,6%, mesmo enfrentando a pressão dos juros altos. Este resultado marca o terceiro ano consecutivo de expansão, conforme registrado na terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, pela Pesquisa Industrial Mensal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2024, a produção industrial havia avançado 3,1%, enquanto em 2023 o crescimento foi de apenas 0,1%. No entanto, a desaceleração em 2025 se tornou evidente quando comparados os dados do primeiro e do segundo semestres, sendo que até junho a taxa de crescimento foi de 1,2%, enquanto no segundo semestre, a variação foi nula.
No ano passado, o crescimento da indústria foi observado em duas das quatro grandes categorias econômicas: bens de consumo duráveis, com alta de 2,5%, e bens intermediários, que cresceram 1,5%. Em contrapartida, os bens de consumo semi e não duráveis caíram 1,7% e os bens de capital, 1,5%.
O IBGE destacou que, das 25 atividades pesquisadas, 15 apresentaram crescimento, com notável desempenho das indústrias extrativas, que cresceram 4,9%, e dos produtos alimentícios, com alta de 1,5%. Em 2025, 49,6% dos 789 produtos pesquisados mostraram incremento na produção.
André Macedo, gerente da pesquisa, atribui a desaceleração industrial no final do ano à política monetária restritiva e ao patamar elevado da taxa Selic. Ele explica que a alta dos juros adia decisões de investimento por parte das empresas e impacta o consumo das famílias.
“Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, analisa Macedo, reforçando suas observações.
Macedo alerta ainda para os níveis de inadimplência, destacando que os empréstimos se tornaram mais caros devido aos juros elevados. Em dezembro, a produção de veículos automotores recuou 8,7%, um dos principais impactos negativos do período.
A partir de setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou uma escalada na taxa Selic, elevando-a de 10,5% para 15% em junho de 2025, em resposta à trajetória crescente da inflação. Tal medida impactou o crédito e desestimulou o consumo, aspectos essenciais para o controle inflacionário.
O governo possui uma meta inflacionária de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 pontos percentuais. Apesar disso, o IPCA passou 13 meses acima do intervalo de tolerância, quase todo o ano de 2025. A economia do país, devido ao ritmo moderado, viu a geração de empregos diminuir.
“Afeta, por parte das famílias, as decisões em relação ao consumo”, aponta Macedo, detalhando o efeito indireto às famílias.
Por fim, 2025 terminou com o menor nível já registrado na taxa de desemprego, segundo os dados do IBGE, confirmados na última semana de dezembro, trazendo otimismo em meio às pressões econômicas.