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Setor produtivo se alarma com a Selic mantida em 15% ao ano

Indústria e sindicatos criticam política monetária que afeta crescimento econômico.

06/11/2025 às 00:19
Por: Redação
A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central em manter a taxa Selic em 15% ao ano causou inquietação entre representantes da indústria, comércio, construção civil e sindicatos. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, esse patamar de juros sufoca a economia e isola o Brasil, enquanto outros países já iniciaram a redução das taxas. Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que a política monetária em curso é excessivamente restritiva e prejudica o país. Ele destacou que, mesmo com a inflação em queda, a Selic continua a impactar negativamente a economia, trazendo custos desnecessários e ameaçando o mercado de trabalho. Uma pesquisa da CNI revelou que 80% das empresas industriais consideram os juros o principal obstáculo ao crédito de curto prazo. Além disso, 71% veem a taxa como o maior entrave ao financiamento de longo prazo. Na construção civil, a preocupação é semelhante. Renato Correia, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, comentou que a Selic alta encarece o crédito imobiliário, inibindo novos empreendimentos. A CBIC ajustou a previsão de crescimento do setor em 2025, reduzindo de 2,3% para 1,3%, devido ao impacto dos juros elevados. Sindicatos também criticaram a política monetária. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, cada ponto percentual na Selic aumenta em cerca de 50 bilhões de reais os gastos públicos com juros da dívida. Juvandia Moreira, da Contraf-CUT, ressaltou que esses recursos poderiam ser investidos em áreas essenciais como saúde e educação. Miguel Torres, da Força Sindical, descreveu a situação como uma era de juros exorbitantes, que comprometem o consumo e a renda familiar, especialmente no final do ano. O setor de supermercados, por sua vez, afirmou que o Brasil contraria a tendência global de redução dos juros. Felipe Queiroz, da Associação Paulista de Supermercados, criticou a segunda maior taxa real de juros do mundo, apontando que esta configura um entrave ao desenvolvimento. Ainda assim, a Associação Comercial de São Paulo, por meio de Ulisses Ruiz de Gamboa, defendeu que embora altos, os juros são uma resposta a desafios como uma inflação persistente acima da meta e incertezas externas, justificando uma postura cautelosa do Banco Central.

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