O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 marcou uma nova fase no conflito do Oriente Médio, envolvendo fortemente os territórios palestinos. Analistas apontam que os ataques ao Irã são consequências indiretas da guerra em Gaza e da colonização da Cisjordânia.
Governos de Israel e dos Estados Unidos (EUA) poderiam estar utilizando as fragilidades econômicas do Irã, agravadas por sanções ocidentais e conflitos internos, para desestabilizar o apoio do Eixo da Resistência, liderado por Teerã.
O professor Bruno Huberman, especialista em relações internacionais da PUC-SP, afirma que as agressões contra o Irã resultam do 7 de Outubro, já que Teerã representa forte oposição à política de Washington e Tel-Aviv. Ele destaca que a questão palestina continua central para o projeto político iraniano.
“A solidariedade com a causa palestina sempre esteve no centro do projeto político iraniano desde 1979. Essa é uma das razões de sua constante confrontação.”
A queda do Irã poderia permitir que EUA e Israel reestruturassem o Oriente Médio conforme seus interesses, facilitando movimentos de anexação na Cisjordânia por Israel.
O recente avanço de Israel em novas regras para aquisição de terras na Cisjordânia foi denunciado como uma tentativa de expansão sobre territórios palestinos. Em 2025, pelo menos 40 mil palestinos foram desabrigados na região.
A queda de Teerã, avalia o professor, não inviabiliza a causa palestina, mesmo alterando o contexto atual. Segundo ele, o Irã envolveu-se profundamente no apoio à luta armada, enquanto outros países optaram por suporte humanitário ou retórico.
Analistas como Rashmi Singh, da PUC Minas, apontam que o conflito entre Hamas e Israel em Gaza normalizou a aplicação seletiva do direito internacional, tolerada por países ocidentais, enquanto ataques ao Irã foram amplamente endossados.
“A Palestina não está diretamente vinculada às agressões ao Irã, mas estabeleceu padrões permissivos nas relações internacionais.”
A professora alerta que Israel tem usado o conflito para expandir ações territoriais na Palestina, algo que tem se intensificado após o cessar-fogo em Gaza.
Karina Stange Caladrin, do Ibmec SP, avalia que, embora o ataque do Hamas não seja o único fator, a guerra 'regionalizou' a dinâmica política no Oriente Médio, incentivando um foco maior contra o Irã e desviando a atenção da agenda palestina.
O conflito entre Israel e Palestina remonta à fundação do Estado de Israel em 1948, evento que levou à 'Nakba', ou seja, a catástrofe árabe, quando milhares de palestinos foram deslocados. A luta pelo retorno dos refugiados e criação de um Estado Palestino continua no centro das discussões regionais.