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Curso de hidráulica capacita reeducandos e reduz custos em Mato Grosso do Sul

Iniciativa oferece capacitação em hidráulica, promove reintegração social e gera economia ao Estado

16/03/2026 às 10:02
Por: Redação

O governo do Mato Grosso do Sul, por intermédio da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), implementou uma nova ação de ressocialização voltada aos reeducandos do sistema prisional da capital, promovendo qualificação profissional, sustentabilidade e impacto econômico positivo para os cofres públicos. Na sexta-feira, 13, teve início o curso de Encanador Hidráulico, que atenderá 140 pessoas privadas de liberdade em Campo Grande.

 

A aula inaugural ocorreu no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, conhecido como Máxima de Campo Grande, sendo parte integrante do Programa Mãos e Obras, desenvolvido pela concessionária Águas Guariroba em parceria com o executivo estadual, Agepen e Faculdade Senai de Construção. O curso, com carga horária de 40 horas, propicia preparação direcionada ao mercado de trabalho e reforça iniciativas para reinserção social dos custodiados.

 

O projeto visa não apenas qualificar tecnicamente os participantes, mas também proporcionar economia à administração pública. Com a formação adquirida, os reeducandos estarão aptos a executar serviços de manutenção hidráulica dentro das próprias unidades prisionais, reduzindo a contratação de empresas terceirizadas e promovendo o uso racional da água.

 

O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, destacou o alcance da iniciativa nas políticas de reintegração e gestão eficiente das unidades penais.

 

“Quando oferecemos qualificação profissional dentro do sistema prisional, estamos criando oportunidades reais de mudança de vida. O aprendizado adquirido aqui contribui diretamente para a ressocialização e também traz benefícios para a administração pública, já que esses reeducandos poderão atuar em reparos nas unidades, gerando economia ao Estado.”

 

A estimativa apresentada aponta que, somente pela eliminação da necessidade de contratação de manutenção terceirizada, será possível economizar aproximadamente duzentos mil reais. A implementação do curso possibilitará a realização de reparos imediatos em sistemas hidráulicos, incluindo encanamentos, torneiras e caixas de descarga, o que diminui o desperdício e otimiza o uso de água dentro das unidades prisionais.

 

O secretário-executivo de Justiça, Rafael Garcia Ribeiro, enfatizou que a união de esforços entre setor público e a iniciativa privada resulta em oportunidades concretas de transformação social. Para ele, a qualificação no sistema prisional é um instrumento relevante para preparar os reeducandos para o retorno à vida em sociedade, além de promover melhorias e eficiência administrativa nas próprias unidades.

 

“A qualificação profissional dentro do sistema prisional é uma ferramenta importante para preparar essas pessoas para o retorno à sociedade. Ao mesmo tempo, o projeto contribui para melhorias nas próprias unidades, unindo ressocialização e eficiência administrativa.”

 

O diretor-presidente da Águas Guariroba, Gabriel Buim, explicou que o projeto incorpora também ações de responsabilidade social e incentivo ao uso consciente da água. Além da oferta da capacitação, estão sendo doados todos os materiais didáticos, uniformes e equipamentos de proteção necessários. O objetivo é que os participantes possam aplicar o aprendizado tanto dentro das unidades quanto em oportunidades futuras fora do sistema prisional.

 

“Além da capacitação, estamos realizando a doação de materiais, uniformes e equipamentos de segurança. A ideia é que os participantes possam aplicar esse conhecimento nas unidades prisionais e, quando retornarem à sociedade, tenham uma profissão que possibilite um novo começo.”

 

O investimento da concessionária Águas Guariroba na aquisição de equipamentos hidráulicos, uniformes e dispositivos de segurança destinados ao curso foi calculado em cento e sessenta mil reais.

 

A Faculdade Senai de Construção assumiu a responsabilidade pela formação técnica dos participantes. Ao final do curso, todos receberão certificação profissional, fato que amplia as possibilidades de inserção no mercado de trabalho quando concluírem o cumprimento da pena.

 

Segundo Plínio Gratão, gerente de gestão da Faculdade Senai, a formação profissional representa um recurso fundamental para ampliar as perspectivas dos custodiados.

 

“Com o certificado do Senai, os participantes terão condições de buscar oportunidades no mercado de trabalho. O projeto une qualificação, sustentabilidade e economia, beneficiando tanto os custodiados quanto o Estado e a sociedade.”

 

As aulas serão ofertadas em sete estabelecimentos penais da capital, que, juntas, reúnem cerca de 6.150 pessoas privadas de liberdade. As unidades contempladas incluem: Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, Instituto Penal de Campo Grande, Centro de Triagem "Anísio Lima", Presídio de Trânsito, Centro Penal Agroindustrial da Gameleira e as penitenciárias da Gameleira I e II.

 

Entre os inscritos, Alisson Souza da Silva, interno da Máxima, agradeceu pela oportunidade e afirmou que a qualificação será útil para garantir sustento digno aos filhos quando estiver em liberdade. Ele também destacou que o aprendizado contribui para ocupação produtiva dentro do presídio. O curso ainda proporciona remição de pena: a cada 12 horas de estudo, o reeducando tem um dia a menos no tempo de cumprimento total.

 

Expansão das iniciativas de qualificação

 

O curso de hidráulica integra um conjunto mais amplo de ações promovidas pela Agepen, cujo objetivo é fortalecer o processo de ressocialização por meio da ampliação da qualificação profissional. De acordo com a Divisão de Educação da instituição, a previsão é de que cerca de 2 mil pessoas em privação de liberdade sejam capacitadas em 2026, em áreas como marcenaria, serralheria, construção civil, entre outras, ampliando as alternativas de profissionalização no sistema prisional.

 

A direção da Agepen considera que o investimento em educação e trabalho nas prisões representa um avanço para a cidadania, a segurança pública e a gestão eficiente dos recursos estaduais, ao mesmo tempo que se apresentam alternativas concretas para a reconstrução de trajetórias de vida.

 

Comunicação Agepen

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