O fenômeno climático El Niño está previsto para intensificar o risco de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul durante 2026, especialmente nos biomas do Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. A influência do El Niño altera o regime de chuvas e eleva as temperaturas, aumentando a probabilidade de ocorrências de fogo na região.
A previsão indica que o fenômeno causará temperaturas mais elevadas no inverno deste ano, associadas a chuvas irregulares. Em resposta a este cenário, o estado preparou uma estratégia robusta de combate e prevenção a incêndios, com o uso de tecnologia avançada, mobilização aérea e terrestre por meio de bases avançadas.
Valesca Fernandes, meteorologista do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), adverte que a situação no estado deve se agravar nos próximos meses. Apesar de algumas áreas terem superado a média de chuvas em fevereiro, o alerta persiste. Dados de 48 municípios, consolidados por diversos órgãos, mostram relevância dessa tendência.
"Durante o período seco, a baixa umidade e altas temperaturas podem intensificar o risco de incêndios florestais," afirmou Valesca.
O fenômeno também impacta o período úmido seguinte, prometendo chuvas irregulares abaixo da média histórica. Entre 2023 e 2025, o El Niño já foi responsável por temperaturas recordes, e espera-se que seu desenvolvimento comece entre o fim do outono e início do inverno.
O Governo de Mato Grosso do Sul está preparado com ações estratégicas para minimizar os impactos dos incêndios. Aeronaves são utilizadas para combater focos inacessíveis, e drones realizam análises de georreferenciamento, tornando o controle mais eficaz.
Esforços anteriores resultaram em uma diminuição significativa de focos de calor e áreas queimadas, como visto na Operação Pantanal 2025.
Em 2025, havia redução notável na área queimada em comparação a 2024. A eficácia deriva de uma maior conscientização pública, colaboração interinstitucional e uma resposta rápida a focos de incêndio, além de condições climáticas ligeiramente favoráveis.
Adicionalmente, quase 1 mil brigadistas foram treinados no ano passado, fortalecendo a rede de prevenção e resposta rápida. Bases avançadas no Pantanal têm desempenhado um papel crucial, permitindo resposta ágil às emergências.
Na fase operacional, os Bombeiros monitoraram 924 focos de incêndios detectados por satélite, combatendo diretamente 88 deles e executando 1.105 ações de combate. No total, 1.298 militares foram mobilizados com 60 viaturas, atendendo a 4.391 ocorrências, principalmente em áreas urbanas e periurbanas.
"O Corpo de Bombeiros manteve um padrão elevado de qualidade durante todo o ano, conseguindo, em muitos casos, combater incêndios antes mesmo de serem detectados por satélites," destacou o major Eduardo Teixeira, subdiretor de Proteção Ambiental.