A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aplicou autuações a dez distribuidoras e uma atacadista por indícios de elevação abusiva nos preços dos combustíveis durante fiscalização realizada entre os dias 16 e 20 de março. Essa operação marcou a primeira semana de inspeções após a vigência da Medida Provisória (MP) 1.340, que aumentou as penalidades para práticas abusivas no mercado de combustíveis.
Ao longo da semana, a ANP inspecionou 154 estabelecimentos em mais de 50 cidades distribuídas por 11 estados além do Distrito Federal. Desse total, 128 eram postos de combustíveis, 24 distribuidoras e dois postos flutuantes, conforme divulgado no dia 24 de março, detalhando as ações de fiscalização empreendidas.
Em um dos casos flagrados em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a ANP identificou um “descolamento significativo entre a variação dos custos e os preços praticados”, sugerindo uma ampliação significativa da margem de lucro da distribuidora. Durante a operação, a agência recolheu dados de preços e notas fiscais de aquisição para análise aprofundada, que poderá desencadear novas autuações e processos administrativos.
“Os estabelecimentos autuados passam por processo administrativo com direito à ampla defesa, tendo penalidades aplicadas apenas após conclusão e condenação no processo”, explicou a ANP.
Além das autuações por suspeitas de cobranças irregulares, 30 estabelecimentos foram notificados por diversas outras irregularidades, e nove locais sofreram interdições. A ação ocorreu no contexto da MP 1.340, que endurece as penalidades da Lei do Abastecimento Nacional de Combustíveis, impondo multas que variam de 50 mil a 500 milhões de reais, dependendo da gravidade e do porte do infrator.
A ANP integrou uma força-tarefa que contou com a Secretaria Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor dos governos federal, estadual e municipal. O objetivo principal é conter o aumento abusivo dos preços, especialmente do óleo diesel, cujo valor teve alta de quase 20% entre 1º e 15 de março, subindo de 6,15 para 7,35 reais o litro. Essa elevação está associada aos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciados no final de fevereiro, que impactaram o mercado internacional de petróleo.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou o aumento abusivo do diesel como “banditismo”, ressaltando que a MP 1.340 visa o diálogo com caminhoneiros para evitar paralisações da categoria.
Para mitigar o impacto, o governo federal adotou medidas como a desoneração dos impostos federais PIS e Cofins sobre o diesel, que é o combustível mais afetado pela crise internacional. Além disso, há um programa de subvenção de 0,32 reais por litro de diesel produzido ou importado, e propostas de redução do ICMS estadual para o diesel importado, buscando amenizar os custos para o consumidor final.
A tensão no Oriente Médio, marcada por confrontos entre Irã e países produtores de petróleo vizinhos, assim como o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo e gás mundial, pressiona a oferta e eleva os preços internacionais do combustível. O Irã chegou a alertar para a possibilidade do petróleo atingir o preço de 200 dólares o barril, cenário que preocupa o mercado global.
No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em 0,38 reais por litro em 14 de março, mas a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que esse aumento foi amortecido pela redução dos tributos promovida pelo governo federal, que busca conter os efeitos da alta internacional sobre o consumidor brasileiro.
Os canais para denúncias de irregularidades no mercado de combustíveis permanecem abertos, com a ANP disponibilizando número de telefone e a plataforma digital FalaBR, atendendo demandas de fiscalização e defesa do consumidor. O monitoramento e o endurecimento das sanções compõem a estratégia do governo para equilibrar os preços e proteger a economia nacional diante do cenário internacional complexo.