Quatro em cada dez estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos afirmam já ter sido vítimas de bullying na escola, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 25 de março de 2026. Além disso, 27,2% desses alunos relataram ter sofrido alguma forma de humilhação repetidas vezes, indicando a persistência desse problema nas instituições de ensino de todo o país.
Os dados foram coletados ao longo de 2024 em escolas públicas e privadas, e mostram um aumento em relação à pesquisa realizada em 2019, quando o percentual de estudantes que sofreram bullying era ligeiramente menor. O gerente responsável pela pesquisa, Marco Andreazzi, ressaltou que houve uma elevação mais significativa na frequência das agressões, indicando que o problema se tornou mais intenso para aqueles que o vivenciam.
Segundo o IBGE, 39,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos relataram ter sofrido bullying nas escolas, sendo que o índice entre as meninas alcança 43,3%, superior ao dos meninos que é de 37,3%. A origem das provocações mais frequentes está relacionada à aparência, com 30,2% dos casos focando características do rosto ou do cabelo e 24,7% associarem o bullying à aparência do corpo. A cor da pele ou raça foi mencionada em 10,6% das situações. Além disso, 16,6% dos estudantes indicaram ter sofrido agressão física de colegas, sendo os meninos os mais afetados, com 18,6%.
"O bullying já é caracterizado como algo persistente, intermitente… E nós observamos aqui uma tendência de aumento, o que indica que mais estudantes passaram a vivenciar situações repetidas de violência".
O estudo destaca que enquanto o número geral de estudantes que sofrem bullying permaneceu quase constante, houve um aumento notável na persistência e intensidade dos episódios. A frequência das humilhações duplas ou múltiplas cresceu em mais de 4 pontos percentuais desde a última pesquisa, revelando que a situação tende a se agravar entre as vítimas.
Dos entrevistados, 13,7% admitiram ter praticado bullying, com maior incidência entre os meninos (16,5%) em comparação às meninas (10,9%). Entre as razões apontadas pelos autores das agressões, aparência física e cor da pele novamente aparecem como os motivos principais. Curiosamente, 12,1% dos agressores reconheceram que o bullying estava relacionado a questões de gênero ou orientação sexual, embora apenas 6,4% das vítimas tenham identificado esse fator como motivação. Situação similar ocorre com agressões contra estudantes com deficiência: 7,6% dos autores afirmam ter cometido bullying por essa razão, contra 2,6% das vítimas que o admitiram.
Essa discrepância pode indicar que muitas vítimas preferem silenciar suas razões reais por receio de estigma ou medo, segundo os pesquisadores.
Também foi observado que 26,3% dos alunos que sofreram bullying não conseguiram identificar a razão do ataque, o que reforça o caráter coletivo e incompreensível de muitas dessas agressões para as vítimas.
A pesquisa revelou uma elevação no percentual de estudantes que sofreram agressões físicas por colegas, subindo de 14% em 2019 para 16,6% em 2024, especialmente entre os meninos. Já os ataques virtuais, realizados via redes sociais ou aplicativos, apresentaram uma pequena queda, indo de 13,2% para 12,7%. Nesta modalidade, as meninas foram mais frequentemente vítimas, com 15,2% relatando humilhações online, contra 10,3% dos meninos.
O IBGE também consultou gestores escolares para verificar as iniciativas de suporte ao bem-estar dos alunos e combate ao bullying. Apenas 53,4% dos estudantes estavam matriculados em instituições que participavam do Programa de Saúde nas Escolas (PSE), que prevê medidas para melhorar a qualidade de vida e prevenir violências. Apenas 43,2% dos alunos frequentavam escolas que implementaram ações específicas de combate ao bullying, e 37,2% em unidades que adotaram estratégias para prevenir brigas no ambiente escolar.
O cenário descrito sugere a necessidade de ampliar e fortalecer políticas e programas educacionais que coíbam o bullying e promovam um ambiente escolar mais seguro e saudável para adolescentes em todo o Brasil.