A 18ª Semana do Artesão teve início nesta quarta-feira, 18 de março, em Mato Grosso do Sul, com a realização de oficinas gratuitas que reúnem tanto participantes já conhecidos entre si quanto novos interessados em aprender técnicas de artesanato. O evento, promovido pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, contempla ainda feira de produtos, palestras, rodada de negócios e apresentações culturais, com atividades programadas até 25 de março.
No primeiro dia, foram oferecidas duas oficinas: Técnica em Fibras Naturais – Trançado, sob orientação de Magali Ono, e Montagem de Biojoias, ministrada por Beatriz Barros. Ao todo, 24 pessoas participaram dessas atividades, todas motivadas a experimentar novos métodos, materiais e fontes de inspiração.
Entre os participantes, Tchielicsol Benke destacou que, embora esteja acostumado a criar peças e pinte telas, não se define como artesão. Ele ressaltou que já participou de oficinas de cerâmica e busca ampliar seus conhecimentos em trabalhos manuais, pois se sente impulsionado a aprender técnicas inovadoras. Para Benke, o maior valor reside no ambiente de integração proporcionado pelas oficinas.
O trabalho de produção artesanal é geralmente solitário. Nessas aulas, podemos desenvolver conhecimentos e trocar experiências com outros colegas. É uma forma de integrar, conversar, trocar ideias. Essa troca de experiências é o mais importante.
Magali Ono, responsável pela oficina de Trançado em Fibras Naturais, utiliza o macramê, uma técnica manual baseada em nós para criar franjas e texturas. Ela define o artesanato como toda transformação manual de elementos oferecidos pela natureza.
Segundo Magali, o macramê permite confeccionar desde bijuterias, como pulseiras e colares, até barrados em toalhas, bastando utilizar fibras naturais e dedicação ao processo manual.
Ministrar oficinas, para Magali, é mais do que ensinar: é uma missão que proporciona satisfação pessoal e fortalece o desenvolvimento do artesanato local.
É uma parte muito agradável do trabalho, uma forma de desenvolver o artesanato. Tudo isso é muito gratificante. Gosto muito, porque envolve tanto o fazer quanto a troca de experiências.
No espaço ao lado, a oficina de biojoias une profissionais do artesanato e iniciantes, tendo à frente Bia Barros, que compartilha seu conhecimento acumulado ao longo dos anos.
O repasse da técnica para quem já é artesã é muito gratificante. É algo que aprendemos lá atrás e que precisamos passar adiante, para as novas gerações. Quando ministramos oficinas, estamos formando novos artesãos para o mercado de trabalho. Isso me alegra muito.
Bia Barros observa que existe uma rede de artesãos que se conhece e atua em diferentes técnicas, mantendo constante intercâmbio de experiências. Ela destaca a dinâmica do setor, no qual diferentes métodos podem dialogar, como é o caso do uso do macramê em biojoias.
O artesanato é muito dinâmico. Existem várias tipologias que podemos praticar e, às vezes, uma técnica dialoga com outra. Eu, por exemplo, trabalho com biojoias e posso utilizar o macramê, como o ensinado na oficina ao lado. É uma técnica diferenciada, que fica linda. Por isso há essa integração. Os conhecimentos se somam.
Durante o período da feira, o público terá a oportunidade de adquirir artigos de valor cultural, experimentar produtos típicos da gastronomia regional e assistir a diversas atrações artísticas. Entre os nomes confirmados para apresentações estão Jerry Espíndola, Gui Valença, Karla Coronel e o Circo do Mato, todos na Esplanada Ferroviária, em Campo Grande. Todas as atividades têm entrada gratuita.
Este ano, a Semana do Artesão presta homenagem a três personalidades do cenário artístico regional: Marilde Cecilia Ferreira, de Rio Verde; Luiz Gonzaga de Oliveira, conhecido como “Luizinho”, de Campo Grande; e Elizabeth Antunes Marques, chamada “Beth Marques”. Os três são reconhecidos pelo legado de suas trajetórias e pela contribuição à cultura do Estado.
Desde 2007, a Semana do Artesão é organizada pela Fundação de Cultura, através da Diretoria de Artesanato, Moda e Design, em colaboração com entidades que representam o setor. O evento faz parte das ações de valorização da cultura, buscando consolidar o artesanato como atividade econômica sustentável, estratégica para o desenvolvimento regional, aliando geração de renda, capacitação e intercâmbio cultural.
A programação da 18ª Semana do Artesão prevê as seguintes atividades:
18 de março (quarta-feira)
• 18h: Solenidade de abertura oficial (Esplanada Ferroviária)
• Início da Feira “Mãos que Criam”
• 19h30: Apresentação musical do Duo Borba Nonnato
19 de março (quinta-feira)
• Rodada de Negócios promovida pelo Sebrae/MS
• 16h30: Inauguração da Casa do Artesão (Shopping Campo Grande)
• 19h: Show de Jerry Espíndola
20 de março (sexta-feira)
• Encontro dos Artesãos de Mato Grosso do Sul
• Workshop dedicado a mídias digitais
• Apresentação cultural
21 de março (sábado)
• 14h30: Show de Karla Coronel
• 19h: Apresentação de Lianny Melo
22 de março (domingo)
• 8h: Café na Praça, realizado na Morada dos Baís
• 16h30: Espetáculo do Circo do Mato
• 18h30: Grupo Flor de Pequi
De 18 a 25 de março
• Oficinas, palestras e ações em escolas
Imagens: Daniel Reino