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OMS indica testes rápidos como estratégia central contra tuberculose

Organização Mundial da Saúde destaca importância de exames rápidos e acesso a novas tecnologias para conter doença que ainda mata mais de 3 mil pessoas por dia no mundo.

24/03/2026 às 18:06
Por: Redação

No Dia Mundial da Tuberculose, celebrado nesta terça-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou o apelo por iniciativas mais contundentes para eliminar a tuberculose globalmente e ampliar a adoção de inovações tecnológicas no diagnóstico, ressaltando os avanços proporcionados por testes rápidos realizados no próprio ponto de atendimento e por swabs de língua capazes de identificar a bactéria com maior agilidade.

 

Segundo comunicado da OMS, a disponibilização dessas novas ferramentas representa um avanço significativo para a identificação precoce da doença e início mais célere do tratamento, o que é fundamental diante do elevado índice de mortalidade associado à tuberculose em todo o mundo.

 

“Esses testes portáteis e fáceis de usar aproximam o diagnóstico da tuberculose dos locais onde as pessoas normalmente buscam atendimento”.


 

De acordo com a entidade internacional, os testes promovidos custam menos da metade do preço de exames moleculares convencionais e têm potencial para ampliar a testagem em diversos países. Entre as características apontadas, destacam-se a operação por bateria, a emissão de resultados em menos de uma hora e a possibilidade de antecipar o início do tratamento para os pacientes.

 

O impacto da doença permanece elevado: todos os dias, mais de 3.300 pessoas morrem em decorrência da tuberculose, enquanto são notificados, diariamente, 29 mil novos diagnósticos da infecção.

 

“Os esforços globais para combater a tuberculose salvaram cerca de 83 milhões de vidas desde 2000; no entanto, os cortes no financiamento global da saúde ameaçam reverter esses avanços”.


 

Segundo avaliação da OMS, a adoção de métodos diagnósticos rápidos ainda é restrita em diversos países, devido principalmente ao custo elevado e à necessidade de transporte de amostras para laboratórios centralizados, o que dificulta a realização dos exames em tempo hábil.

 

A organização defende que a incorporação desses recursos pode ser decisiva para que metas globais de ampliação do acesso aos exames de tuberculose e resistência a medicamentos sejam cumpridas, além de reduzir atrasos no início do tratamento e limitar a propagação da doença.

 

Dados e desafios da tuberculose no Brasil

 

O Boletim Epidemiológico Tuberculose 2025, elaborado pelo Ministério da Saúde, indica que, em 2024, foram registrados 84.300 casos da doença no país, correspondendo a uma incidência de 39,7 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. No mesmo período, o Brasil contabilizou mais de 6 mil mortes atribuídas à infecção.

 

Entre os estados com maiores taxas de incidência aparecem Amazonas, com 94,7 casos por 100 mil habitantes, Rio de Janeiro, com 75,3 casos por 100 mil habitantes, e Roraima, com índice de 64,3 casos a cada 100 mil habitantes.

 

Em relação à mortalidade, de acordo com dados consolidados de 2023, o Amazonas registrou coeficiente de 5,1 óbitos por 100 mil habitantes, Pernambuco apresentou taxa de 4,8 por 100 mil e o Rio de Janeiro teve índice de 4,6 por 100 mil habitantes.

 

Transmissão e cuidados essenciais

 

A tuberculose é uma enfermidade infecciosa e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também chamada de bacilo de Koch. Embora afete principalmente os pulmões, a doença pode comprometer outros órgãos e sistemas, sendo a ocorrência extrapulmonar mais frequente em pessoas que vivem com HIV.

 

A transmissão ocorre por via respiratória, a partir da emissão de micropartículas contaminadas – produzidas ao tossir, falar ou espirrar – por uma pessoa com tuberculose ativa nas formas pulmonar ou laríngea e sem tratamento.

 

Pessoas que respiram essas partículas podem ser infectadas. O Ministério da Saúde estima que uma pessoa com tuberculose pulmonar ou laríngea ativa e sem tratamento, ao eliminar bacilos, pode infectar entre 10 e 15 pessoas, em média, ao longo de um ano, dentro de uma comunidade.

 

Com o início do tratamento, a transmissibilidade tende a diminuir progressivamente e, de modo geral, após 15 dias o risco de contágio se reduz drasticamente.

 

Contudo, o Ministério da Saúde recomenda a adoção de medidas de controle de infecção até que o resultado da baciloscopia se torne negativo, como cobrir a boca com o antebraço ou com um lenço ao tossir e manter os ambientes bem ventilados, com abundância de luz natural.

 

O bacilo de Koch é sensível à exposição solar, e a circulação de ar contribui para dispersar partículas infectantes. Por isso, locais arejados e iluminados naturalmente reduzem o risco de transmissão da tuberculose. O órgão também destaca a importância da 'etiqueta da tosse', orientando que a boca seja coberta com o antebraço ou lenço ao tossir.

 

Os principais sintomas associados à tuberculose incluem:

 

  • Tosse seca ou com expectoração por três semanas ou mais;
  • Febre vespertina;
  • Sudorese noturna;
  • Perda de peso.

 

O Ministério da Saúde orienta que qualquer pessoa que apresente sintomas compatíveis com tuberculose procure a unidade de saúde mais próxima para avaliação e realização de exames. Caso o diagnóstico da doença seja confirmado, o início do tratamento deve ser imediato, sendo fundamental seguir o tratamento até sua conclusão.

 

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