Segunda, 30 de Março de 2026
LogoSite 1 - Florianopolis hmlg1

Operação flagra grupo que usava contas de esposas para lavar dinheiro do tráfico

Grupo movimentou cerca de 54 milhões de reais e usava familiares para ocultar recursos ilícitos

20/03/2026 às 21:14
Por: Redação

Uma organização criminosa que, segundo investigações, movimentou cerca de cinquenta e quatro milhões de reais entre 2022 e 2024, foi alvo da Operação Conluio Pantaneiro, deflagrada pela Polícia Civil na sexta-feira, 20 de março de 2026. O grupo é acusado de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, utilizando contas bancárias de esposas para ocultar a origem ilícita dos valores.

 

A apuração conduzida pelas equipes da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) apontou que os três principais membros do grupo utilizavam as contas das esposas para realizar as operações financeiras ilícitas relacionadas ao tráfico.

 

O homem identificado como principal articulador do esquema tem 49 anos e apresenta ligação direta com todos os alvos da investigação. Ele foi detido em Cáceres na sexta-feira. Conforme a polícia, o líder era responsável pelo pagamento dos serviços a outros integrantes, além de comandar a coordenação geral da quadrilha. O veículo Fiat Strada usado em Poconé para transportar entorpecentes estava registrado em seu nome.

 

A companheira do suspeito, com 46 anos, também foi incluída como integrante da organização. Declarando-se empresária e atuando em uma sorveteria junto ao marido, a investigação indica que ela desempenhava papel no núcleo financeiro da quadrilha, sendo responsável pela lavagem de dinheiro.

 

Segundo os dados coletados, somente entre 2023 e 2024, a mulher movimentou dois milhões, quatrocentos e quinze mil, seiscentos e trinta reais e sessenta e seis centavos em suas contas. Destes, cento e sessenta e quatro mil e novecentos reais foram depositados por ela própria. No total, não foi possível identificar a origem de seiscentos e quarenta e três mil, oitocentos e doze reais e trinta e seis centavos que transitaram por suas contas. Ela foi alvo de mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de bens e valores, cumpridos na mesma data.

 

Prisões e movimentações suspeitas

 

Outro investigado, de 42 anos, preso em Várzea Grande, foi o responsável por dar início às diligências policiais após ser capturado pelo Grupo Especial de Fronteira (Gefron) em setembro de 2023, quando atuava como batedor no transporte de quatrocentos e sessenta e um quilos e duzentos e setenta e cinco gramas de drogas em Poconé.

 

A apuração revelou que o suspeito já havia realizado outros transportes, integrava uma facção criminosa e, para lavar dinheiro, se valia da conta de sua esposa, que recebia recursos ilícitos e posteriormente repassava a ele.

 

“Entre 2023 e 2024, ele recebeu da companheira duzentos e quarenta e sete mil, seiscentos e noventa e oito reais e quarenta centavos, o que demonstra que a conta dela era utilizada como conta de passagem para que ele recebesse os valores oriundos do tráfico de drogas”, afirmou a delegada Bruna Laet, responsável pela investigação da Operação Conluio.

 

A esposa do batedor, de 33 anos, exerce a profissão de manicure e declarou essa atividade como sua única fonte de renda. Porém, a polícia constatou que ela não apresentou declaração de imposto de renda entre 2022 e 2024, apesar de movimentar três milhões, novecentos e vinte e três mil, oitocentos reais e sessenta e cinco centavos no período.

 

Mais de um milhão de reais foram transferidos para ela por uma empresa de fachada com sede em São Paulo. Além disso, recebeu cento e cinquenta mil reais de outra empresa laranja da mesma cidade; o responsável por ambas também teve mandado de prisão expedido e cumprido na sexta-feira.

 

Consta ainda que a manicure transferiu trezentos e dezesseis mil e cinquenta reais ao homem apontado como chefe do grupo, cento e cinco mil e trezentos reais à esposa dele e duzentos e sessenta e cinco mil, duzentos e oitenta e três reais e seis centavos ao próprio marido. Contra ela também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de bloqueio e sequestro de bens e valores.

 

Relações do grupo e logística criminosa

 

Na mesma ação em que o segundo investigado foi preso, em setembro de 2023, ocorreu a morte de Wagner Gonçalves Neto, de 40 anos, após entrar em confronto armado com o Gefron. Ele foi socorrido, porém não resistiu aos ferimentos.

 

Wagner era considerado peça-chave no esquema, pois mantinha contato com diversos alvos e intermediava pagamentos. Um dos suspeitos presos na sexta-feira, em Cáceres, é filho de Wagner e também está envolvido nas atividades do grupo.

 

O marido da irmã de Wagner, com 34 anos, foi recrutado para apoiar a logística de recebimento das drogas na fazenda em que trabalhava. Ele foi preso em Poconé, também na sexta-feira.

 

Outro casal foi vinculado à quadrilha em razão das conversas do suspeito com Wagner e da movimentação suspeita na conta da esposa. O homem, de 39 anos, era responsável por repassar pagamentos do chefe do grupo para Wagner, porém, como os pagamentos estavam em atraso, manifestou desejo de não seguir recebendo a droga.

 

“Esse investigado também recebeu valores do tráfico de drogas por meio de sua esposa, visto que ela foi beneficiária de quatro dos investigados, recebeu em suas contas bancárias o total de cento e cinquenta e oito mil e trezentos reais de outros integrantes da organização criminosa”, afirmou a delegada Bruna Laet.

 

O suspeito do casal foi identificado e teve a prisão cumprida em Cruzeiro do Oeste (PR) na sexta-feira. No total, dez mandados de prisão expedidos pela Quarta Vara Criminal da Comarca de Cáceres foram executados, sendo três em Cáceres, três em Poconé, dois em Várzea Grande, um em Taubaté (SP) e um em Cruzeiro do Oeste (PR).

 

© Copyright 2025 - Site 1 - Florianopolis hmlg1 - Todos os direitos reservados