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Sérgio Ricardo propõe plano para recuperar agricultura familiar na Baixada Cuiabana

Presidente do TCE-MT quer incentivar infraestrutura, pesquisa e permanência de jovens no campo

16/03/2026 às 19:35
Por: Redação

O conselheiro Sérgio Ricardo, que ocupa a presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), comunicou a criação do plano de metas intitulado “Mato Grosso 2050”. O objetivo desse plano é servir como referência para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento das regiões do estado e à redução de desigualdades, contemplando especialmente ações para fortalecer a agricultura familiar na Baixada Cuiabana. O anúncio foi feito durante reunião realizada na segunda-feira (16), na qual participaram representantes do setor.

 

O presidente do TCE-MT destacou que a iniciativa visa a implantação de políticas de Estado, e não apenas de governo, enfatizando a necessidade de desenvolvimento na Baixada Cuiabana, região apontada por ele como vivendo em condições de extrema miséria e carência de infraestrutura básica, como energia elétrica trifásica. Sérgio Ricardo ressaltou a importância de garantir condições essenciais para as famílias locais, afirmando que a discussão deve abranger a viabilidade econômica, além da oferta de moradia, energia e abastecimento de água adequados.

 

Como forma de aprofundar o diálogo, Sérgio Ricardo sugeriu a criação de uma mesa técnica dedicada ao tema. Ele alertou para a situação da agricultura familiar, que, segundo ele, encontra-se em processo de extinção, o que poderá resultar em aumento do desemprego. Para ele, tanto o desenvolvimento quanto a sustentabilidade de Mato Grosso estão diretamente ligados à permanência da agricultura familiar.

 

Na Baixada Cuiabana, onde aproximadamente 35 mil famílias subsistem da pequena produção rural, um conjunto de ações pode contribuir para expandir a produção e melhorar o abastecimento alimentar do estado, além de estimular a permanência das novas gerações nas atividades do campo. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Pública de Mato Grosso (Sinterp-MT), Gilmar Brunetto, reforçou esses pontos ao apresentar a atual realidade do setor.

 

“A grande maioria de quem está no campo hoje são agricultores e agricultoras acima de 65 anos, que em cinco ou seis anos não vão ter mais força. Qual o programa que o estado tem para levar o jovem para o campo? O jovem só volta se tiver renda”, disse ao alertar para o risco de extinção da atividade.

 

Durante a reunião, Gilmar Brunetto também chamou atenção para a precarização de centros de pesquisa e citou a diminuição dos investimentos destinados à extensão rural. Ele advertiu que, caso as políticas públicas não sejam revistas, a agricultura familiar poderá enfrentar uma situação semelhante à da agricultura empresarial, concentrada nas mãos de poucos.

 

Contrastes sociais e deslocamento populacional

 

O envelhecimento dos produtores, a escassez de oportunidades no meio rural e a baixa produtividade em áreas da Baixada Cuiabana têm provocado a migração de famílias para as cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Sérgio Ricardo observou que a questão da pobreza na região precisa ser tratada com seriedade pelas autoridades, ressaltando que, atualmente, "o que a Baixada está produzindo hoje são favelas".

 

Esse quadro evidencia os marcantes contrastes socioeconômicos observados em Mato Grosso. O presidente do TCE-MT destacou que, apesar do agronegócio apresentar elevados índices de produtividade e geração de riqueza, o estado convive simultaneamente com polos de riqueza mineral e áreas de extrema pobreza. De acordo com Sérgio Ricardo, é possível identificar ao menos três realidades distintas dentro do território mato-grossense: o estado do agronegócio, o estado dos minerais (ouro e diamante) e o estado da pobreza.

 

Universidades e setor produtivo colaboram no plano

 

Sérgio Ricardo informou ainda que a elaboração do plano “Mato Grosso 2050” contará com o apoio de universidades, associações e representantes do setor produtivo. O grupo irá auxiliar na definição das diretrizes para o fortalecimento da agricultura familiar, com o intuito de garantir investimentos contínuos e consistentes para o segmento.

 

As propostas discutidas até o momento incluem alternativas como o aumento dos investimentos em pesquisa e infraestrutura, além da implantação de sistemas de irrigação utilizando recursos hídricos provenientes do reservatório de Manso. Entre as ideias apresentadas, está a possibilidade de cada produtor rural ter acesso a meio hectare de área irrigada, desde que se dediquem ao cultivo de produtos com maior valor agregado e potencial de comercialização.

 

“Nós temos muitas potencialidades e o mundo precisa de comida. Se cada agricultor tiver meio hectare irrigado ele sobrevive desde que ele produza produtos que agregam valor e possam ser comercializados”, concluiu Brunetto.

 

O canal oficial de comunicação do TCE-MT permanece disponível para esclarecimentos adicionais, por meio do endereço eletrônico imprensa@tce.mt.gov.br e do telefone 3613-7561.

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