A partir de novembro de 2025, o Ministério da Saúde fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS) com 760 novos profissionais em formação na especialização em Enfermagem Obstétrica, promovida pela Rede Alyne. O curso requer que os participantes tenham pelo menos um ano de experiência em saúde feminina dentro do SUS.
A ação é fruto de um investimento de 17 milhões de reais, visando aumentar o número de especialistas para melhorar a atenção obstétrica e neonatal. Atualmente, o Brasil conta com apenas 13 mil enfermeiros obstétricos, uma quantidade insuficiente para atender à demanda nacional.
O conselheiro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Renné Costa, destaca a importância da medida, que visa corrigir a escassez desses profissionais no Brasil. "Enquanto mundialmente há uma média de quatro enfermeiros obstétricos para cada médico, no Brasil, esse número é inverso", afirmou.
O conselheiro destacou que o enfoque na fisiologia do parto minimiza intervenções desnecessárias, promovendo partos mais humanos.
A falta de enfermeiros é agravada pela realidade cultural no país, onde o parto natural ainda é visto como uma prática menos desejável do que a cesárea, tradicionalmente vinculada a benefícios de saúde privada.
Costa insiste na importância de difundir o conhecimento de que o parto natural é preferível por ser menos invasivo e reduzir o risco de complicações. A formação pretende apoiar a mudança de paradigma cultural, promovendo a autonomia da mulher durante o parto.
Margareth Portella, da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, ressalta que a rede estadual de saúde já conta com um número satisfatório desses profissionais, mas adverte que muitos ainda não têm formação prática adequada, dificultando a implementação da nova política.
A Rede Alyne, lançada em setembro de 2024, é a base para esses avanços. Criada para reestruturar a Rede Cegonha, almeja reduzir a mortalidade materna em 25% e a mortalidade de mulheres negras em 50% até 2027, contribuindo para a saúde materna e infantil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do programa para garantir dignidade e respeito às gestantes.
Com a presença de 760 novos profissionais, o governo espera melhorar significativamente a qualidade do atendimento obstétrico no Brasil, promovendo um modelo de saúde mais equitativo e menos medicalizado.