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Saiba onde buscar atendimento no SUS: UBS, UPA, hospital ou Samu

Conhecer a porta de entrada e o papel de cada serviço evita filas, agiliza o atendimento e fortalece a rede de saúde.

29/01/2026 às 10:02
Por: Redação

Entender a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) e saber qual serviço procurar em cada situação é fundamental para a população brasileira, pois essa clareza otimiza o acesso ao cuidado, reduz filas e garante que cada cidadão receba o atendimento adequado no momento certo, fortalecendo a rede de saúde de forma significativa e contínua em todo o território nacional.

 

O SUS, um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, organiza-se em Redes de Atenção à Saúde (RAS), que interligam Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), entre outros. No coração dessa organização está a Atenção Primária à Saúde (APS), responsável por coordenar o cuidado e direcionar o acesso aos diferentes níveis de complexidade.

 

A importância da organização e acessibilidade no SUS

A secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, com vasta experiência na construção do SUS em Mato Grosso do Sul, enfatiza que a organização dos fluxos de atendimento é crucial para a sustentabilidade do sistema, garantindo um serviço mais justo e eficiente para todos os usuários.

 

Quando o cidadão busca o serviço apropriado, a rede opera de modo mais equilibrado, assegurando prioridade aos que mais necessitam, utilizando melhor os recursos públicos e aumentando a resolutividade do cuidado. Esse é um compromisso permanente do SUS com o acesso qualificado e com a eficiência da gestão.


 

Garantindo atendimento universal, integral e gratuito, o SUS acompanha o cidadão por toda a vida, desde ações preventivas e de promoção à saúde, como vacinação e controle da pressão arterial, até procedimentos de alta complexidade, incluindo cirurgias especializadas e transplantes. Criado pela Constituição Federal de 1988, o sistema democratizou o acesso à saúde, tornando-a um direito de todos. Para gerenciar essa vasta gama de serviços, o SUS está dividido em níveis de atenção, com responsabilidades partilhadas entre a União, os estados e os municípios, otimizando a distribuição dos recursos e a qualidade do atendimento.

 

Atenção Primária: A porta de entrada principal

A Atenção Primária à Saúde (APS) representa a principal porta de entrada para o SUS, manifestada na maioria dos municípios pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Estrategicamente localizadas próximas às residências da população, essas unidades são o primeiro ponto de contato que os cidadãos devem procurar para suas necessidades cotidianas de saúde, promovendo um cuidado próximo e contínuo.

 

A superintendente de Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Karine Cavalcante, ressalta que a UBS é o local onde o cuidado inicia e se mantém continuamente, servindo como o pilar central da jornada de saúde do indivíduo.

 

A Atenção Primária acompanha o cidadão em todas as fases da vida. É na UBS que a população encontra orientação, prevenção, acompanhamento contínuo e o encaminhamento adequado quando há necessidade de outros serviços.


 

Nas UBSs são realizadas consultas de rotina, o acompanhamento de crianças, gestantes e idosos, além do controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Elas oferecem atendimentos médicos, de enfermagem e multiprofissionais, e lidam com urgências de menor gravidade. Adicionalmente, as unidades básicas disponibilizam vacinação, pré-natal, atendimento odontológico, distribuição de medicamentos e desenvolvem ações coletivas de vigilância em saúde, abrangendo um espectro completo de cuidados primários.

 

As UBSs também são responsáveis pela realização de testes rápidos para HIV, sífilis, hepatites virais e gravidez, exames de rastreamento de câncer e ações de planejamento reprodutivo, como a oferta de preservativos e a inserção de DIU. Karine Cavalcante reforça que, além de resolver demandas pontuais, a Atenção Primária compreende o território, estabelece vínculo com a comunidade e coordena o cuidado dentro de toda a rede de saúde, garantindo a continuidade do tratamento em outros serviços mais especializados, se necessário.

 

Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para urgências

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) são o recurso ideal para situações de urgência que exigem avaliação imediata, mas que nem sempre requerem internação hospitalar. Funcionando 24 horas por dia, todos os dias da semana, as UPAs integram a Rede de Atenção às Urgências e Emergências do SUS, sendo indicadas para casos como febre alta (acima de 39°C), dores intensas, falta de ar, crises convulsivas, fraturas leves, ferimentos com sangramento que não para e outras urgências clínicas, traumáticas ou psiquiátricas, com priorização baseada na classificação de risco.

 

Com um nível de complexidade intermediário, as UPAs conseguem resolver uma grande parte das urgências. Quando um quadro clínico exige atendimento especializado ou internação, o paciente é encaminhado para outro ponto da rede, como um hospital. Já para os casos de menor gravidade, após o atendimento inicial, o usuário é direcionado a continuar o acompanhamento em sua UBS de referência, consolidando a integração do sistema. Os hospitais, por sua vez, integram os níveis de média e alta complexidade do SUS e são destinados a atendimentos que exigem maior estrutura, como internações, cirurgias, exames complexos e cuidados intensivos.

 

A superintendente de Atenção à Saúde da SES, Angélica Congro, explica que os hospitais são destinados a atendimentos que requerem uma estrutura mais robusta, funcionando como o ponto final para casos que demandam intervenções de maior envergadura.

 

Os hospitais atendem casos que realmente precisam de internação, cirurgias ou exames especializados. Por isso, o acesso acontece de forma organizada, por meio da regulação, garantindo mais segurança ao paciente, evitando deslocamentos desnecessários e contribuindo para que o SUS funcione de forma mais eficiente para todos.


 

Essa sistemática segue o princípio da hierarquização do SUS, onde cada serviço é acionado conforme a complexidade da necessidade de saúde apresentada pelo paciente. Por sua vez, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) deve ser ativado em circunstâncias graves e emergenciais, caracterizadas por risco iminente à vida e que demandam intervenção rápida no local do ocorrido ou durante o transporte até uma unidade de saúde.

 

SAMU e a rede integrada de saúde

O SAMU opera de maneira totalmente integrada à rede de urgência, fornecendo os primeiros socorros e, subsequentemente, encaminhando o paciente para a UPA ou hospital mais adequado, de acordo com a gravidade do seu estado. O SUS, portanto, funciona como uma vasta e articulada rede, em que UBSs, UPAs, hospitais e serviços de urgência colaboram para assegurar um cuidado integral à população. Este modelo reflete os princípios da universalidade, equidade e integralidade, dependendo da cooperação contínua entre União, estados e municípios.

 

Ao buscar o serviço apropriado para cada situação, o cidadão contribui diretamente para um atendimento mais ágil, eficiente e resolutivo para si e para toda a comunidade. Conhecer a fundo o funcionamento do SUS não é apenas uma questão de informação, mas uma forma ativa de fortalecer esse sistema essencial que zela pela saúde de milhões de brasileiros diariamente, garantindo o direito à saúde para todos.

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