Na Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, a presença feminina é marcante nas diversas etapas do trabalho pericial. As mulheres atuam desde o atendimento em locais de crime, passando por análises laboratoriais, exames médico-legais e papiloscopia, representando atualmente cerca de 40% do efetivo da instituição.
O processo de produção de provas técnicas tem início no próprio local do crime, onde vestígios são cuidadosamente identificados e preservados. Esse trabalho inicial é crucial para as investigações e orienta exames subsequentes. Nas palavras da perita Karla Gonçalves da Cruz, que trabalha no Núcleo de Perícias Externas, a primeira preocupação é garantir que a área onde se encontram os vestígios esteja devidamente isolada para a integridade dos elementos encontrados.
Karla Gonçalves da Cruz, com 11 anos de experiência, ressalta que o trabalho no local do crime requer extrema atenção, pois nem sempre é possível determinar de imediato quais elementos serão relevantes para a investigação. Conforme explica, "em muitos casos, há uma quantidade considerável de elementos no local e é essencial realizar um levantamento minucioso e detalhado".
Sua prioridade é identificar a área dos vestígios e assegurar que permaneça isolada para permanecer íntegra.
Os materiais coletados transitam para análises em diferentes áreas da perícia, como DNA e balística, nos laboratórios da Polícia Científica, enriquecendo a investigação com suporte técnico fundamental.
Juliana Cardozo da Silva, perita papiloscopista desde 2015, enfatiza a importância do levantamento de impressões digitais em locais de crime, ajudando na identificação dos envolvidos. Esse trabalho vai além da simples emissão de documentos, garantindo a existência civil e situando o indivíduo juridicamente.
"Confirmar uma identidade pode inocentar alguém, esclarecer um crime ou encerrar o sofrimento de uma família."
Juliana explica que o processo é minucioso, exigindo atenção a detalhes únicos de cada impressão digital, reforçando a importância de um trabalho cuidadoso e preciso nas investigações.
Na medicina legal, Taís Cristina Zottis Barsaglini, médica-legista, destaca a importância dos exames para documentar casos variados, desde violência física até homicídios. Os resultados são registrados em laudos técnicos, produzidos com base em evidências científicas sólidas e respeitando o processo pericial.
"O exame médico-legal traz clareza e materialidade sobre os fatos."
Apesar das dificuldades emocionais, Taís permanece focada no rigor técnico necessário para garantir a confiabilidade das conclusões presentes nos laudos.
Romilda Fleitas, agente de Polícia Científica há uma década, atua nos exames necroscópicos, envolvendo-se desde a recepção até a liberação do corpo. A atenção aos familiares em momentos difíceis é uma parte crucial de sua rotina, exigindo responsabilidade e respeito.
Ela se vê como uma parte essencial da engrenagem, onde cada função contribui para o sucesso do trabalho técnico.
Assim, do levantamento de vestígios ao laboratório, as mulheres na perícia de Mato Grosso do Sul desempenham papéis vitais, contribuindo significativamente para a justiça.