A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul implementou uma técnica inovadora que utiliza tomografia com contraste durante necrópsias no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), em Campo Grande. Este contraste, desenvolvido internamente, otimiza o processo e reduz significativamente os custos operacionais para o Estado.
A adoção deste método permite uma visão detalhada da rede vascular post-mortem, facilitando o trabalho em casos complexos. Ao contrário de algumas limitações dos métodos tradicionais, a nova técnica identifica anomalias internas de forma rápida e eficaz, tais como obstruções e rupturas.
Diferente das práticas internacionais que exigem insumos caros, a solução desenvolvida em Campo Grande atende às necessidades locais. A fórmula usa componentes como água, sulfato de bário e um agente estabilizador, garantindo que o contraste permaneça nos vasos sanguíneos durante a análise.
Essa inovação permite ao perito médico-legista produzir imagens tridimensionais detalhadas, essenciais para esclarecer causas de morte em casos de infarto e hemorragias.
O procedimento, conhecido como "necrópsia virtual", complementa a análise tradicional, fornecendo informações essenciais para determinar a causa de óbitos cuja origem era inicialmente incerta.
Mato Grosso do Sul se destaca por possuir tomógrafos em suas unidades de perícia, como no IMOL de Campo Grande e Dourados. Este investimento coloca o estado na linha de frente da investigação forense no país.
A técnica desenvolvida é resultado de pesquisas conduzidas pela Polícia Científica e integra o mestrado de Rodrigo Borges Gomes, no programa de Ciência dos Materiais da UFMS.
O estudo de Gomes alia a prática pericial ao conhecimento acadêmico, com apoio técnico do Instituto Médico-Legal do Distrito Federal. O projeto planeja aumentar o número de casos analisados, buscando aprimorar ainda mais a eficácia da metodologia.