Mato Grosso do Sul enfrentou um regime de chuvas acentuadamente irregular em dezembro, conforme detalhado no Monitor de Secas elaborado pelo Cemtec/MS, o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). Dos 50 pontos monitorados em todo o estado, 23 apresentaram volumes de chuva abaixo da média histórica, 26 ficaram acima e apenas um manteve-se exatamente dentro do esperado.
Essa disparidade no regime hídrico já havia sido antecipada pelos meteorologistas do Cemtec/MS em suas projeções para o verão, que indicavam a possibilidade de volumes de chuva tanto acima quanto abaixo da média histórica, cenário que se confirmou plenamente. A capital, Campo Grande, exemplificou a tendência de alta, registrando acúmulos que superaram as expectativas entre 18% e 40% em seus cinco pontos de monitoramento, evidenciando uma variação significativa em diferentes bairros.
O município de Mundo Novo se destacou com o maior volume de precipitação, acumulando expressivos 439 milímetros de chuva, um montante 144% superior à média climatológica para o período. Em contraste, diversas cidades registraram volumes muito abaixo do padrão histórico, causando preocupação em algumas regiões. Entre as mais afetadas, Paranaíba contabilizou uma redução de 58%, Paraíso das Águas, de 48%, e Cassilândia e Chapadão do Sul, ambos com uma queda de 47%.
O cenário de dezembro, com metade do estado acima e metade abaixo da média de chuvas, reafirma a previsão de irregularidade climática para a região.
Outros municípios que registraram significativos déficits hídricos foram Camapuã, com 45% a menos de chuva, e Corumbá, especificamente na estação da Fazenda São Cândido, que apresentou um decréscimo de 40% em relação à sua média histórica. Essa distribuição heterogênea das chuvas sublinha a complexidade dos padrões climáticos observados no mês.
Paralelamente à variação das chuvas, o mês de dezembro em Mato Grosso do Sul também foi marcado por uma notável amplitude térmica, ou seja, uma grande diferença entre as temperaturas mínimas e máximas. Os termômetros variaram de 12,8°C, registrados em Aral Moreira no dia 17, até os 39,8°C, aferidos em Porto Murtinho no dia 1º de dezembro, evidenciando as oscilações bruscas de temperatura.
Para o trimestre compreendido entre fevereiro e abril, a coordenadora do Cemtec/MS, Valesca Fernandes, indica que a situação de irregularidade na distribuição das chuvas deverá se repetir em grande parte do estado. A análise dos modelos climáticos aponta para um cenário desafiador.
Em uma grande parte do Mato Grosso do Sul haverá um cenário de irregularidade na distribuição das chuvas. No entanto, a expectativa é de que, de modo geral, os volumes de chuva fiquem abaixo da média histórica, afirmou Valesca Fernandes.
Essa projeção sugere a necessidade de um acompanhamento contínuo e de medidas adaptativas, especialmente para setores como a agricultura e o abastecimento de água, que podem ser impactados pela persistência de volumes de chuva abaixo do esperado nos próximos meses.