Dourados se transforma até domingo em um espaço vibrante de intercâmbio cultural, ancestralidade e expressão artística dos povos indígenas com a realização da quarta edição do Festival de Música Indígena. O evento, com entrada franca, acontece desde quinta-feira, 28, abrangendo vários locais da segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul.
Organizado pela Comunidade Indígena da aldeia Panambizinho, CASULO, RAJ (Retomada Aty Jovens), Conselho Aty Guassu, Comunidade Acadêmica de Direito Guarani kaiowá e Kuña Jeroky Guasu, o festival fortalece espaços de valorização, difusão e reconhecimento das culturas indígenas regionais, reunindo artistas, lideranças, pesquisadores, estudantes e o público em geral.
Durante os dias de programação, são promovidas apresentações musicais, oficinas, exposições, sessões audiovisuais e rodas de diálogo, que incentivam a reflexão sobre a diversidade dos povos originários e sua importância na construção social brasileira.
O festival oferece duas oficinas que reúnem jovens Guarani e Kaiowá de diferentes regiões do sul do Mato Grosso do Sul, incluindo Dourados, Panambizinho, Amambai, Pirajuí e Paranhos. Estas atividades são espaços de troca, aprendizado e fortalecimento coletivo.
"A presença e a câmera", ministrada por Luciana Martuchelli, atriz, diretora e dramaturga, explora a memória, imagens e criação de narrativas pessoais envoltas em elementos míticos e universais. Utilizando a linguagem cinematográfica, os participantes desenvolvem habilidades como escuta, improvisação, presença cênica e construção da autoimagem, fazendo da arte um meio de expressão e reconhecimento de suas histórias.
A oficina de fotografia com celular, conduzida pelo fotógrafo Leonardo Prado, de Brasília (DF), apresenta a fotografia como ferramenta para autorrepresentação, memória e narrativa visual. Os jovens aprendem fundamentos técnicos, fazem saídas de campo, utilizam aplicativos gratuitos para edição e organizam uma exposição fotográfica coletiva, registrando seus territórios, vivências e cotidianos sob seus olhares próprios.
Essas ações surgiram há aproximadamente dois anos, a partir da reivindicação das lideranças da Aldeia Panambizinho ao Espaço Casulo, visando aproximar a juventude indígena e fortalecer seus processos culturais e políticos.
Lideranças responsáveis pela organização destacam que o teatro, cinema e fotografia são meios essenciais para a expressão e defesa indígena, ampliando as possibilidades dos jovens relatarem suas realidades e fortalecerem suas vozes frente aos desafios atuais.
Além das oficinas, o evento abriga o II Encontro sobre Direito Social, um fórum que congrega lideranças indígenas, rezadores, mulheres e representantes de organizações comunitárias para discutir direitos indígenas, políticas públicas e os desafios territoriais.
Enquanto os jovens participam das oficinas, as lideranças dialogam no espaço Xirukarai sobre questões essenciais para o presente e o futuro das comunidades, promovendo a conexão entre a formação da juventude e as reflexões políticas e sociais conduzidas por líderes tradicionais.
O encontro reúne representantes da Retomada Aty Jovem (RAJ), Conselho Aty Guasu e organizações de mulheres indígenas, compondo um processo coletivo de escuta, construção de estratégias e troca de saberes. O objetivo é que o festival funcione não só como celebração cultural, mas também como espaço de articulação comunitária e fortalecimento das lutas indígenas.
Em um contexto histórico que exige maior reconhecimento das culturas indígenas, o festival abre espaço para que artistas e comunidades compartilhem suas produções, narrativas e visões de mundo a partir de suas próprias vozes.
A programação ocorre em espaços urbanos e territórios indígenas, reforçando a importância de aproximar diferentes públicos e incentivar trocas que valorizem os contextos culturais de cada povo. Assim, o festival demonstra que as culturas indígenas são vivas, em constante transformação, produzindo arte contemporânea, ocupando espaços e traçando novos caminhos para as futuras gerações.
A música é o eixo central da celebração, onde histórias ancestrais ganham novas formas, jovens artistas interagem com seus mestres e o público aprecia a diversidade de expressões que cruzam diferentes povos e territórios.
Um destaque da programação é o show do cantor Deivid Forrozeiro, realizado no sábado, 30, no Espaço Tembolo Kaiowá da Aldeia Panambizinho. Reconhecido por suas interpretações em guarani no ritmo do forró, Deivid exemplifica a capacidade indígena de dialogar com variadas expressões musicais sem perder suas raízes culturais.
Essa apresentação cultural reafirma o compromisso do festival em valorizar tanto as manifestações tradicionais quanto as inovadoras dos povos originários.
Além da música, o festival engloba cinema, fotografia, literatura e artes visuais, promovendo uma experiência de escuta, aprendizado e respeito às múltiplas identidades indígenas presentes no Brasil.
Numa região marcada pelas presenças Guarani e Kaiowá, o Festival de Música Indígena destaca a arte como instrumento de fortalecimento cultural, diálogo intercultural e transformação social, ao mesmo tempo em que celebra tradições e evidencia a criatividade dos artistas indígenas contemporâneos, superando estereótipos e ampliando a visibilidade de suas produções.
O evento é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal via Ministério da Cultura (MinC), executado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). Conta também com o apoio do Núcleo de Ação Cultural da Universidade Federal da Grande Dourados (NAC UFGD), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS-DOURADOS), Associação dos Docentes da UEMS (ADUEMS), Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Escola Municipal Indígena Pai Chiquito.
29 de maio, sexta-feira
Oficina I “A presença e a câmera”, com Luciana Martuchelli das 8h às 12h e das 13h às 17h, na Escola Municipal Indígena Pa’i Chiquito e Caixa Preta – NAC/UFGD.
Oficina II “Oficina de Fotografia com Celular”, com Leonardo Prado, das 8h às 12h e das 13h às 17h, na Escola Municipal Indígena Pa’i Chiquito Pedro e Casa de Reza Yvu Wera.
Às 19h30, Mostra Cine Casulo e Noite Cultural no Xirukarai, Aldeia Panambizinho, Dourados/MS.
30 de maio, sábado
Repetição da oficina “A presença e a câmera”, com Luciana Martuchelli, das 8h às 12h e das 13h às 17h, na Caixa Preta, UFGD.
Oficina de Fotografia com Celular com Leonardo Prado, das 8h às 12h e das 13h às 17h, na Casa de Reza Yvu Wera.
A partir das 9h30, Noite Cultural com show de Deivid Forrozeiro no Espaço Tembolo Kaiowá, Aldeia Panambizinho.
31 de maio, domingo
Às 19h, Palestra “Mercado de trabalho cinematográfico para atores profissionais e aspirantes e a função do preparador de ator no cenário nacional”, com Luciana Martuchelli.
Às 19h30, Roda de conversa com Leonardo Prado.
Às 20h, Mostra Cine Casulo no Casulo – Espaço de Cultura e Arte, localizado na Rua Reinaldo Bianchi, 398, Parque Alvorada, Dourados/MS.
Coordenador do evento: Abrisio Silva Pedro.
Articuladora institucional: Ivanuza da Silva Pedro.
Equipe local: Anastacio Peralta.
Produtor de show e organizador do espaço Xirukarai: Rojanio da Silva Pedro.
Articuladores de rezadores e lideranças: Josiel Machado e Braulio Armoa.
Organizador do espaço e motorista: Fábio Concianza.
Equipe da oficina de fotografia: Nailson Gomes Gonçalves.
Equipe da oficina de ator para cinema, TV e teatro: Gilearde Barbosa Pedro.
Articulador dos jovens: Germano Lima Alziro.
Comunicação geral: Ademilson Verga Concianza (KIKI).
Cozinheiras do evento: Maria Vieria Bortoloti e Reigineide Perito Concianza.
Assistente de produção e segurança: Demauro Hilton.
Professor da oficina de fotografia: Leonardo Alves do Prado.
Professora da oficina de cinema: Luciana Martuchelli.
Coordenação de produção e administração: Júlia Aissa.
Assistentes de produção e executivas: Adriano Paes, Luis Negrini, Luis Fernando e Heline Willian.
Arte gráfica: Jaciara Marschner.
Assessoria de imprensa: Aline Lira e Lucas Arruda.