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Polícia Federal Desmonta Fábrica de Armas no Brasil

Operação Forja atinge organização que fabricava 3,5 mil fuzis anualmente.

15/10/2025 às 23:36
Por: Redação

Combate ao Crime Organizado

A Polícia Federal realizou a Operação Forja na quarta-feira (15), com o intuito de desmontar uma organização criminosa voltada à produção, montagem e comércio ilegal de armas de fogo de uso restrito. Esta organização tinha a capacidade para fabricar 3,5 mil fuzis por ano, que eram fornecidos às principais facções criminosas do Rio de Janeiro, especialmente as vinculadas ao Comando Vermelho.

A operação foi executada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF) e contou com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Cerca de 50 policiais federais saíram às ruas para cumprir 10 mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Além das prisões e buscas, a Justiça Federal ordenou o sequestro de 40 milhões de reais em bens e valores dos investigados, visando enfraquecer financeiramente a organização criminosa.

Durante a ação, sete pessoas foram presas, sendo duas no Rio de Janeiro e outras cinco em São Paulo. O nome "Forja" faz referência direta à atividade de fabricação clandestina de armamentos em larga escala praticada pelo grupo.

Comando da organização

A investigação deriva da Operação Wardogs, de outubro de 2023, quando Silas Diniz foi preso em flagrante com 47 fuzis, resultando no fechamento de uma primeira fábrica em Belo Horizonte (MG). Apesar de estar em prisão domiciliar, ele continuou liderando a organização.

No apartamento de Diniz, com vista para a praia da Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio, a polícia encontrou 158 mil reais em dinheiro. Ele e sua esposa foram detidos.

O grupo também importava componentes de fuzis dos Estados Unidos e da China, utilizando maquinário de precisão para montar as armas no Brasil. Os armamentos eram entregues a facções criminosas do Rio de Janeiro, com destino ao Complexo do Alemão e à Rocinha.

Os investigados enfrentarão acusações por crimes de organização criminosa majorada, tráfico internacional de arma de fogo de uso restrito e comércio ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Sou da Paz

Carolina Ricardo, diretora executiva do Instituto Sou da Paz, declarou que a operação foi extremamente bem-sucedida.

"Ela é continuidade de uma outra operação, na casa do mesmo procurado em 2023, com a apreensão de vários fuzis. Ela mostra como há uma conexão entre essa produção caseira industrial de armas”, avaliou Carolina.

Uma pesquisa recente do Sou da Paz sobre apreensão de armas de estilo militar no Sudeste do Brasil indica um aumento nos fuzis, em sua maioria americanos, mas montados com peças americanas. Segundo a diretora executiva, “Esse é um fenômeno mais recente, mas que é capaz de produzir armas de grande porte em circulação nas mãos do crime organizado e são um desafio maior para as polícias, já que são armas que não são rastreáveis, porque não tem numeração de série, por ser de fabricação caseira, mas também mostra o poderio dessa produção, mesmo de forma caseira”.

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