Uma bomba invisível" — é assim que José Claudio Sousa Alves, professor de ciências sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, define o efeito das operações policiais, como a recente Operação Contenção, na vida dos moradores das favelas. Realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, a operação resultou em 121 mortes e assombrou a comunidade com tiroteios e serviços interrompidos. O caos vivido durante e após a operação gerou profundas marcas emocionais e problemas de saúde, conforme alertou o professor. A operação, descrita como a maior e mais letal dos últimos anos, paralisou a região com o fechamento de comércios e escolas, além do desespero espalhado pelas ruas. "As pessoas sofrem de hipertensão, diabetes, distúrbios emocionais, e até AVCs, um reflexo da violência constante", explicou Sousa Alves. Estudos do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania indicam que a exposição contínua a tiroteios leva a um aumento significativo na ocorrência de problemas de saúde, como depressão, ansiedade e insônia entre moradores de áreas afetadas. Raimunda de Jesus, líder sindical e residente do Complexo da Penha, expressou a indignação sobre a discriminação socioeconômica: "O que enfrentamos aqui jamais ocorreria nos bairros ricos". A crescente influência do Comando Vermelho, segundo análises, resulta da combinação de lucratividade no tráfico de drogas e serviços irregulares fornecidos sob coerção pela milícia. Mesmo após as dezenas de prisões, a estrutura do grupo permanece intacta, enquanto as operações ao longo do tempo não resultaram na recuperação de territórios pelas forças legais. Tanto José Claudio Sousa Alves quanto a pesquisadora Carolina Grillo destacam a ineficiência das operações violentas e defendem abordagens alternativas, como a interrupção das finanças do crime, exemplificada pela operação Carbono Oculto. Além disso, enfatizam a necessidade de políticas públicas que ofereçam oportunidades econômicas e educacionais para jovens em áreas vulneráveis, como o programa Pronasci Juventude, uma tentativa de desviar a juventude da criminalidade.