Mais de 2.500 custodiados da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) em Mato Grosso do Sul participarão, nesta terça e quarta-feira, 16 e 17 de dezembro, da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL). As provas serão realizadas no período vespertino, dentro das próprias unidades prisionais e patronatos penitenciários, sob o mesmo rigor de segurança, sigilo e critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), garantindo a validade do processo.
Neste ano, um total de 2.507 custodiados foram inscritos para esta edição do Enem PPL no estado, com a aplicação ocorrendo em 41 unidades prisionais e Patronatos Penitenciários, distribuídas em 118 salas. Este número representa um marco, superando a meta estabelecida para 2025, que era de 2.359 inscritos, e reflete o fortalecimento contínuo das ações educacionais no sistema prisional sul-mato-grossense. Além destes, jovens em cumprimento de medidas socioeducativas e internos da Penitenciária Federal de Campo Grande também prestarão o exame, embora seus números não estejam incluídos nesta contagem principal.
Os dados dos anos anteriores evidenciam um crescimento notável na participação no Enem PPL em Mato Grosso do Sul. Em 2024, o exame registrou 1.965 inscritos, e em 2023, o total de participantes foi de 1.836. A comparação com o ano de 2024 revela um aumento de aproximadamente 27,6% em 2025, enquanto em relação a 2023, o crescimento alcança cerca de 36,6%, indicando uma trajetória consistente de expansão do acesso à educação para essa população.
A crescente adesão ao Enem PPL é um reflexo direto do compromisso da Agepen/MS com a educação como ferramenta primordial de ressocialização, abrindo horizontes para a reintegração social.
O Enem PPL é estruturado de forma idêntica ao exame aplicado ao público externo, composto por quatro provas objetivas e uma redação em Língua Portuguesa. Cada uma das provas objetivas contém 45 questões de múltipla escolha, desenhadas para avaliar de forma abrangente as diversas áreas de conhecimento do ensino médio e seus respectivos componentes curriculares, preparando os participantes para desafios acadêmicos futuros.
No primeiro dia de aplicação, os participantes dedicarão 5 horas e 30 minutos para realizar as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que abrangem Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação. Além dessas disciplinas, a redação, peça central do exame, também será desenvolvida. Complementarmente, será aplicada a prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, que inclui História, Geografia, Filosofia e Sociologia.
O segundo dia do exame terá duração de 5 horas e será focado nas áreas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, contemplando as disciplinas de Química, Física e Biologia. Para finalizar o ciclo de avaliações, os custodiados também resolverão a prova de Matemática e suas Tecnologias. A estrutura completa visa proporcionar uma avaliação integral do conhecimento dos participantes, alinhada aos currículos do ensino médio e às exigências para ingresso no ensino superior.
O exame reafirma a crença de que a educação é um pilar fundamental para a construção de um novo projeto de vida, oferecendo aos custodiados a oportunidade de acesso ao ensino superior e à plena reintegração na sociedade.
A realização do Enem PPL em unidades prisionais de Mato Grosso do Sul é uma iniciativa crucial que reafirma o compromisso da Agepen/MS com a educação como um instrumento fundamental de ressocialização. Essa oportunidade amplia significativamente as chances de continuidade dos estudos, facilita o acesso ao ensino superior e fomenta a construção de novos projetos de vida para os custodiados, oferecendo-lhes um caminho para a transformação pessoal e profissional.
Este esforço está em consonância com as políticas públicas de reintegração social desenvolvidas no estado, que buscam não apenas cumprir a pena, mas também preparar os indivíduos para um retorno produtivo à sociedade. Ao investir na educação, o sistema prisional de Mato Grosso do Sul contribui para a redução da reincidência criminal e para a formação de cidadãos mais conscientes e capacitados, garantindo um futuro mais digno e promissor para todos.