Terça, 28 de Julho de 2026
LogoSite 1 - Florianopolis hmlg1

Sérgio Ricardo propõe restaurante popular a dois reais em todos os municípios de Mato Grosso

Número de unidades varia conforme o porte das cidades; agricultura familiar abasteceria refeições seguindo exemplo da merenda escolar

27/07/2026 às 19:52
Por: Redação

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu a implementação de pelo menos um restaurante popular em cada um dos 142 municípios do estado, com refeições custando apenas dois reais. A proposta será incorporada ao Plano de Metas Mato Grosso 2050 e foi apresentada durante visita ao Restaurante Popular de Cuiabá na segunda-feira, dia 27, onde ele almoçou junto aos frequentadores da unidade.

 

A criação do primeiro restaurante popular em Mato Grosso, em Cuiabá, foi resultado de um esforço articulado por Sérgio Ricardo em 2006, quando exercia mandato como deputado. Passadas duas décadas, o atual presidente do TCE acredita que essa experiência pode ser replicada em todas as cidades do estado.

 

“Hoje eu comi feijão e arroz, cozido de carne com mandioca, salada, guisado de abobrinha, sobremesa e suco. Tem pessoas em Mato Grosso que não têm isso para comer. Não tiveram ontem, não têm hoje e não terão amanhã”, afirmou, ressaltando que o estado possui 500 mil pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. “Então, vamos propor, dentro do Plano de Metas Mato Grosso 2050, Mato Grosso não passa fome”, destacou.

 

Sérgio Ricardo explicou que a quantidade de restaurantes populares seria proporcional ao tamanho de cada município, exemplificando com Cuiabá, que teria seis unidades, enquanto Várzea Grande contaria com quatro, Rondonópolis com três, e Sinop e Nova Mutum com quatro unidades cada. Ele enfatizou que, mesmo em cidades consideradas ricas, há pessoas em situação de fome.

 

Além disso, o presidente propôs que os alimentos servidos nos restaurantes populares sejam fornecidos pela agricultura familiar, seguindo o modelo já utilizado para a merenda escolar. Sobre o custeio, a ideia é que os recursos sejam compartilhados entre o Governo do Estado e as prefeituras, com a maior parcela ficando sob responsabilidade do Executivo estadual.

 

Entre os frequentadores do restaurante, Tereza Cordeiro recorre à unidade quando não pode preparar comida em casa ou almoçar com os filhos. Moradora do bairro Altos da Serra, ela reforçou o pedido por uma unidade na região do CPA, afirmando que o preço de dois reais é quase simbólico.

 

“Eu nem entendo muito de dinheiro, mas a dois reais a gente quase não está dando para comprar um café. A gente tem que agradecer”, declarou, acrescentando: “Não esquece da região do CPA. Eu tenho certeza de que para muitos vai ser ótimo.”

 

Durante a visita, a vereadora Baixinha Giraldelli sugeriu ampliar o atendimento para o jantar, argumentando que muitas pessoas, incluindo crianças, adultos e idosos, dormem sem comer.

 

“Acho que é pouco só o almoço. Quantas pessoas, crianças, adultos, velhos, dormem sem comer”, afirmou.

 

Ela também solicitou que o Governo crie incentivos fiscais para que o comércio possa doar alimentos que atualmente são descartados, evitando o desperdício e beneficiando a população em situação de vulnerabilidade.

 

“Quantas coisas o mercado joga fora, que o Governo do Estado poderia dar incentivo dando desconto nas notas fiscais no que é doado para entidades, prefeitura, não importa, para não ser jogado fora, reaproveitado e matar a fome da população”, acrescentou.

 

O vereador Dilemário Alencar cobrou dos gestores públicos um compromisso firme para avançar nessa pauta, destacando a importância de candidatos a governador incluírem em seus planos de governo a criação de mais restaurantes populares, em parceria com agricultores familiares, o que também geraria empregos nas cidades.

 

Origem da iniciativa e funcionamento do Restaurante Popular de Cuiabá

 

A defesa da rede de restaurantes populares teve início em 2006, quando Sérgio Ricardo, então deputado, visitou unidades em funcionamento no Rio de Janeiro e São Paulo, onde as refeições custavam um real. Após essas visitas, passou a exigir que governos estaduais e municipais instalassem unidades no Mato Grosso, resultando na inauguração do primeiro restaurante popular na capital, Cuiabá, e posteriormente em Várzea Grande.

 

O Restaurante Popular de Cuiabá está localizado na rua Barão de Melgaço, próximo à Câmara de Vereadores, e funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 14h, exceto feriados. De acordo com a Prefeitura da Capital, são servidas cerca de 900 refeições diariamente, ao preço de dois reais, com os custos bancados pelo Executivo municipal.

 

“E este aqui foi uma luta nossa. Foi o primeiro restaurante popular a ser instalado no estado de Mato Grosso. Depois veio o de Várzea Grande. Aqui estão pessoas que precisam. Eu encontrei gente que vem do CPA, do Pedra 90, de Várzea Grande. Governo que quer, mata a fome do povo. Pode fazer estrada, pode fazer ponte, mas governo tem que matar a fome do povo”, concluiu o presidente.

 

© Copyright 2025 - Site 1 - Florianopolis hmlg1 - Todos os direitos reservados