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Agrovila Campão Orgânico mobiliza Defensoria por retorno da energia elétrica

Comunidade reclama da retirada da fiação que deixou 200 famílias sem água e luz, e busca regularização do serviço

24/07/2026 às 16:03
Por: Redação

Moradores da Agrovila Campão Orgânico se reuniram na tarde de quinta-feira, dia 23, na Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul para discutir providências urgentes diante da suspensão no fornecimento de energia elétrica na comunidade.

 

Participaram do encontro representantes como Cláudia Bossay Assumpção Fassa, coordenadora do NUCCON (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos do Consumidor), o vereador Landmark Rios, a assessora jurídica Amanda Justino, as lideranças locais Jonas Lima da Conceição e Emília Aparecida Diniz Almeida, além da advogada Vanessa Corrêa, que integra a Comissão Especial de Regularização Fundiária da OAB/MS.

 

À noite, sob a iluminação de velas, o vereador Landmark Rios realizou uma reunião com os moradores na BR que dá acesso à Agrovila para avançar nos encaminhamentos estabelecidos pela Defensoria. Durante o encontro, as famílias realizaram seus cadastros e organizaram documentos que serão anexados à Ação Civil Pública para pleitear a retomada regular do fornecimento de energia.

 

Segundo as lideranças, equipes da concessionária Energisa estiveram na manhã de quinta-feira na comunidade e removeram a fiação elétrica, deixando cerca de 200 famílias sem eletricidade. A falta de energia afetou também o funcionamento dos poços artesianos responsáveis pelo abastecimento de água à localidade.

 

Jonas Lima da Conceição, liderança da Agrovila Campão Orgânico, destacou as consequências imediatas da retirada da rede elétrica para a subsistência das famílias.

 

"Hoje nós temos 200 famílias aqui dentro. Sem energia, não temos como tirar água dos poços para sobreviver, para os animais e para as plantações. Quando arrancaram os cabos e até o transformador, tiraram nossa vida."

 

Jonas acrescentou que a comunidade está em busca da regularização do serviço de energia.

 

"Nós não estamos fugindo de pagar. Queremos que a Energisa reconheça a comunidade e instale energia regular para cada família."

 

Durante a reunião, a coordenadora do NUCCON informou que será proposta uma Ação Civil Pública com a finalidade de garantir o restabelecimento da energia elétrica de forma regular, assegurando que todas as famílias possuam suas próprias unidades consumidoras.

 

Para preparar a ação judicial, serão feitos cadastros dos moradores e reunidos documentos e fotografias que comprovem a permanência da comunidade na área há mais de quatro anos, além de evidências da necessidade urgente do retorno da energia.

 

Entre os fundamentos que embasarão a ação está a dependência dos poços artesianos, que funcionam por meio de bombas elétricas, para garantir o fornecimento de água. Também foi ressaltado que a comunidade possui idosos, pessoas com deficiência, mães atípicas e moradores que dependem de medicamentos refrigerados, o que reforça o caráter emergencial da medida.

 

A moradora Ana Maria Péricles da Silva, que reside na Agrovila há três anos, declarou que as famílias querem regularizar a situação e efetuar o pagamento pelo serviço.

 

"Aqui não está fácil. A gente fica à mercê da sorte. Nós não estamos correndo de pagar, queremos pagar, mas sempre aparece alguma coisa e eles não querem nos entender."

 

O vereador Landmark Rios acompanhou a reunião e afirmou que continuará apoiando as famílias na busca por uma solução que garanta o acesso regular à energia elétrica. A expectativa é que, com a documentação reunida e a Ação Civil Pública, seja possível assegurar o restabelecimento do serviço, proporcionando condições mínimas de dignidade, abastecimento de água e permanência das famílias na Agrovila Campão Orgânico.

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