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Trabalho prisional em MS produz itens hospitalares e promove ressocialização

Internos da penitenciária produzem itens para hospital e resgatam perspectivas para o futuro

22/06/2026 às 15:44
Por: Redação

Na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, uma das maiores unidades prisionais de Mato Grosso do Sul, internos têm encontrado no trabalho uma forma de qualificação profissional e ressocialização, além de contribuir diretamente com a sociedade. A oficina de costura instalada nesse presídio produz cobertores, mantas, roupas e outros itens hospitalares destinados ao Hospital São Julião, referência no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.

 

Essa ação evidencia o papel do trabalho prisional ao gerar benefícios que extrapolam os muros do sistema carcerário, proporcionando impacto social real e abrindo novas perspectivas para os custodiados.

 

Entre janeiro e maio de 2026, a oficina confeccionou 2.632 peças, incluindo 200 cobertores para os pacientes do Hospital São Julião. Também foram fabricados campos cirúrgicos, panos fenestrados, jalecos, calças, aventais, toalhas, sacolas e diversos outros itens usados na rotina hospitalar.

 

Essa produção não apenas apoia o atendimento da instituição de saúde, como também contribui para a diminuição dos custos operacionais do hospital e fortalece uma rede de solidariedade e cooperação entre órgãos públicos.

 

Oportunidades de aprendizado e reconstrução de vida

 

O trabalho representa para os internos algo muito além de uma tarefa laboral. É uma chance de aprendizado, crescimento profissional e de reconstrução de projetos pessoais.

 

Willian, de 31 anos, natural da Venezuela, aprendeu a costurar dentro da penitenciária e hoje domina várias etapas do processo produtivo. Ele relata que saber que as peças confeccionadas serão utilizadas por pacientes que precisam de cuidados especiais gera um sentimento de realização pessoal.

 

"Me sinto bem por poder ajudar outras pessoas. Aprendi uma profissão que nunca imaginei exercer e que poderá me ajudar quando eu estiver em liberdade".

 

Rafael, de 32 anos, participa da oficina há cinco meses e destaca que a capacitação, inclusive por meio de curso em parceria com o Senai, ampliou suas perspectivas para o futuro.

 

"Quem não tem uma profissão passa a enxergar novas possibilidades. O trabalho faz a gente voltar a sonhar e pensar em uma vida diferente quando sair daqui".

 

Além da qualificação, o trabalho possibilita a remição da pena prevista em lei e contribui para a disciplina e ocupação produtiva dentro da unidade penal.

 

O diretor da Gameleira II, policial penal Evandro Mota, explica que a oficina de costura integra ações voltadas à reintegração social dos presos, oferecendo capacitação técnica e o desenvolvimento de habilidades que poderão ser utilizadas após o cumprimento da pena.

 

Interligação entre sistema prisional, saúde e responsabilidade social

 

A iniciativa está alinhada à política da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) que valoriza o trabalho prisional e busca ampliar as oportunidades de qualificação e inserção produtiva para os custodiados em Mato Grosso do Sul.

 

O impacto dessa parceria vai além da quantidade de itens produzidos. Cada cobertor carrega uma história de recomeço e é destinado a proporcionar acolhimento, conforto e dignidade a pacientes que enfrentam tratamentos e recuperações delicadas.

 

Fabiana Farias, coordenadora do setor de Conservadoria do Hospital São Julião, destaca o crescimento e os resultados positivos que a parceria tem gerado pela mão de obra carcerária. Ela pontua que, só neste ano, já foram entregues 200 cobertores para aquecer os pacientes no inverno, além da produção em andamento de enxoval cirúrgico.

 

"Além de contribuir para a assistência hospitalar, essa iniciativa demonstra a importância da ressocialização por meio do trabalho e da responsabilidade social".

 

Assim, em um ciclo transformador que conecta o sistema prisional à saúde pública e à responsabilidade social, mãos empenhadas em reconstruir trajetórias ajudam a aquecer quem mais necessita, evidenciando que o trabalho é uma ferramenta poderosa para mudanças positivas tanto para os reeducandos quanto para a sociedade.

 

Mais do que os itens confeccionados, essa colaboração simboliza um exemplo de solidariedade ao beneficiar pacientes e proporcionar aos internos a chance de aprender uma profissão e contribuir de maneira positiva à comunidade.

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