Em Mato Grosso do Sul, a Fundação MS, situada em Maracaju, desempenha papel crucial ao transformar conhecimento científico em soluções práticas para o setor agropecuário. Antes de qualquer tecnologia ser aplicada no campo, ela passa por rigorosos testes realizados pela instituição, que considera as características regionais e os desafios específicos das propriedades rurais para orientar os produtores na escolha das estratégias ideais para cada safra.
Com o suporte do Governo de Mato Grosso do Sul, a Fundação MS vem ampliando sua infraestrutura de pesquisa, investindo em equipamentos e promovendo o desenvolvimento de inovações voltadas à produção agrícola. Essa colaboração possibilita que os experimentos conduzidos em campo gerem informações confiáveis, auxiliando os agricultores na tomada de decisões fundamentadas.
Ao longo de quase 35 anos de atuação, a Fundação MS tem focado na geração de conhecimento aplicado, avaliando cultivares, híbridos, técnicas de manejo, sistemas produtivos e tecnologias emergentes antes de sua adoção pelos produtores. A intenção é converter dados científicos em orientações práticas, contribuindo para decisões mais precisas, incremento da produtividade e maior sustentabilidade no agro.
O pesquisador André Lourenção acompanha os trabalhos da Fundação MS há 23 anos, dedicando-se majoritariamente a pesquisas com milho e, mais recentemente, com sorgo. Ele destaca que o diferencial da instituição é desenvolver projetos alinhados às reais necessidades dos produtores rurais.
“Montamos trabalhos focados no produtor rural. O produtor está dentro da Fundação MS e direciona os trabalhos de pesquisa. Então conseguimos construir trabalhos de pesquisa mais assertivos, que realmente serão utilizados na propriedade”.
Segundo André, a pesquisa ganha valor por possibilitar a transformação do conhecimento científico em soluções concretas. Para isso, os estudos passam por avaliações técnicas, análises comparativas e estatísticas antes de serem disponibilizados aos agricultores. Ele ressalta a importância da integração entre ciência e prática, destacando o diálogo com outras instituições e o contato direto com os produtores para entender suas demandas.
A evolução tecnológica no campo nas últimas décadas tem promovido avanços significativos na produtividade agrícola. André recorda que, no início de sua atuação na Fundação MS, as médias de produção de milho eram de 40 a 50 sacos por hectare. Atualmente, há materiais que alcançam 150, 170 sacos, e em algumas situações, até próximos a 200 sacos por hectare, demonstrando o impacto direto da pesquisa nesse progresso.
Além do foco em produtividade, a Fundação MS também investiga métodos para otimizar a produção dentro da mesma área, priorizando sistemas que protejam o solo e preservem o equilíbrio ambiental. Entre essas práticas, destacam-se estudos sobre integração lavoura-pecuária, consórcios e o uso de plantas de cobertura, estratégias que contribuem para melhorar o ambiente produtivo e reduzir riscos.
Considerando a diversidade climática e edafológica de Mato Grosso do Sul, a Fundação mantém Unidades de Pesquisa distribuídas em várias regiões do estado, garantindo que os resultados sejam adaptados à realidade local dos agricultores. André destaca que essa distribuição permite que os produtores obtenham informações pertinentes à sua região, facilitando decisões mais seguras.
O diretor-executivo da Fundação MS, Bruno Freitas de Conti, enfatiza que para viabilizar esses resultados, é imprescindível o investimento contínuo em equipamentos, tecnologia e infraestrutura. A parceria com o Governo do Estado tem sido fundamental para ampliar a capacidade da instituição, possibilitando a aquisição de equipamentos específicos para pesquisas, como plantadeiras e semeadoras, essenciais para assegurar qualidade, rastreabilidade e padronização dos dados gerados.
Bruno ressalta que o papel da Fundação MS vai além da simples testagem de produtos, auxiliando os produtores a interpretarem as diversas tecnologias disponíveis no mercado e a identificarem quais soluções são efetivamente adequadas para suas realidades.
“Hoje existem inúmeras empresas, produtos e soluções à disposição do agricultor. Mas entender como tudo isso se encaixa na realidade dele e como fazer o melhor uso dessas tecnologias é uma contribuição muito importante da Fundação MS”.
Outro desafio importante apontado por Bruno é garantir que o conhecimento gerado chegue até os produtores. Para isso, a Fundação promove eventos, dias de campo e disponibiliza os resultados para agricultores, consultores e profissionais do agronegócio, enfatizando que a pesquisa somente tem valor quando gera resultados práticos.
A aproximação entre a pesquisa e os produtores é acompanhada de perto por agricultores que utilizam as informações da Fundação MS para decisões em suas propriedades.
Luís Otávio Britto Fernandes, que atua na agricultura desde 1987, utiliza os dados fornecidos pela Fundação como suporte para suas decisões agrícolas, especialmente em períodos de maior adversidade climática.
“A gente busca mitigar os impactos climáticos e otimizar a produtividade. A Fundação MS nos direciona com variedades e manejo, e isso faz com que a gente consiga melhorar o nosso negócio”.
Ele acrescenta que as informações também são fundamentais para a equipe técnica da fazenda, que baseia suas atividades nos dados provenientes das pesquisas.
“Nosso departamento técnico se baseia nos dados da Fundação MS para direcionar a forma de fazer dentro da propriedade”.
Luís Otávio considera a relação com a Fundação como uma construção conjunta entre produtor e instituição, destacando que o uso de plantas de serviço, como crotalária e braquiária, foi incorporado após acompanhar os resultados divulgados pela Fundação MS.
“Passei a utilizar isso dentro da propriedade e acredito que pode alterar o sistema produtivo. A pesquisa ajuda porque encurta o caminho para o produtor rural tomar uma decisão”.
Outro produtor, Luís Alberto Moraes Novaes, valoriza o papel da Fundação MS na validação tecnológica antes da adoção em larga escala, apontando a segurança que essa pesquisa proporciona para os investimentos no campo.
“A gente precisava ter a pesquisa ao nosso lado, para levar tecnologias ao campo depois de elas terem sido aprovadas pela ciência. A Fundação MS tem esse papel dentro do nosso negócio”.
Ele reforça que cada propriedade possui características singulares que demandam soluções específicas, e a Fundação auxilia na identificação das tecnologias adequadas para cada contexto.
“A tecnologia muitas vezes é diferente para cada fazenda e para cada sistema de produção. A Fundação MS ajuda a mostrar aquilo que realmente se encaixa em cada condição”.
Na visão de Luís Alberto, os avanços proporcionados pela pesquisa transformaram a agricultura no estado, ampliando as possibilidades de produção com base em conhecimento sólido.
“Hoje a gente tem mais possibilidades porque existe conhecimento dando base para essas decisões. A pesquisa virou parte do processo produtivo”.
A trajetória da Fundação MS evidencia como a cooperação entre produtores rurais, pesquisadores e órgãos públicos pode superar desafios e gerar soluções eficazes. Ao investir em ciência e inovação, Mato Grosso do Sul fortalece sua capacidade de produzir com eficiência, tecnologia e sustentabilidade.