Na manhã desta quinta-feira, 25 de junho de 2026, a Polícia Civil realizou a Operação Fluxo Oculto, cumprindo 90 ordens judiciais com o objetivo de desarticular uma facção criminosa que atua em múltiplos estados, especializada em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Os mandados foram autorizados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias, Polo Sinop, e fazem parte da terceira fase de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) em Sinop.
O cumprimento inclui 13 mandados de prisão, 19 de busca e apreensão, além de 58 medidas judiciais diversas, todas voltadas para aprofundar as investigações e atingir a estrutura financeira e patrimonial do grupo criminoso.
As ações ocorrem nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Em Mato Grosso, as cidades contempladas são Sinop, Cláudia, Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá.
Entre os investigados, destacam-se três líderes da facção, responsáveis pela coordenação das operações ilícitas e administração financeira. Ao todo, são alvo das investigações 31 pessoas físicas e duas jurídicas, indicadas por participação direta ou indireta nas atividades criminosas.
Com a intenção de debilitar financeiramente o grupo, foi decretado o bloqueio de ativos financeiros que somam aproximadamente nove milhões e trezentos mil reais.
Durante as apurações, a Draco identificou que membros da facção criminosa empregavam empresas formalmente estabelecidas para ocultar e dar aparência legal aos recursos provenientes do tráfico de entorpecentes.
Um dos estabelecimentos investigados é um supermercado no município de Cláudia, usado para trocar dinheiro ilícito por valores aparentemente lícitos, inserindo os recursos no sistema financeiro formal.
Foi comprovado que parte dos valores angariados com a venda de drogas em Mato Grosso era transferida para o Rio de Janeiro, indicando a existência de uma rede organizada para movimentar e distribuir os recursos da facção.
“As investigações demonstraram que a facção criminosa utilizava empresas legalmente constituídas para mascarar a origem ilícita dos valores obtidos com o tráfico de drogas. O objetivo era conferir aparência de legalidade ao dinheiro e permitir sua circulação no mercado formal, dificultando a atuação dos órgãos de persecução criminal”, destacou o delegado Eugênio Rudy Junior.
A Operação Fluxo Oculto corresponde à terceira etapa de uma investigação iniciada em 2025, quando a Draco de Sinop efetuou a prisão em flagrante de dois membros da facção em Cláudia.
O avanço dos trabalhos permitiu mapear a estrutura operacional do grupo, identificar seus integrantes e entender os métodos empregados para ocultar os lucros provenientes do tráfico.
Em março de 2026, a Draco deflagrou a Operação Aurora Fronteiriça, que resultou na apreensão de 525 quilos de cocaína e pasta base, pertencentes à organização criminosa – uma das maiores apreensões relativas a esta investigação.
Na sequência, a segunda fase da operação, denominada Vinculum Sanguinis, em maio de 2026, resultou na apreensão de 25 quilos de pasta base de cocaína, 169 mil reais em dinheiro, na prisão em flagrante de três integrantes da facção e no sequestro judicial de bens e valores que ultrapassam três milhões de reais.
Foi constatado que o grupo não se limitava ao tráfico em grande escala, mantendo uma complexa estrutura financeira destinada a ocultar e dissimular os recursos ilícitos.
A identificação deste esquema motivou a terceira fase da investigação, com foco na localização dos responsáveis pelo manejo financeiro, rastreamento dos valores e enfraquecimento econômico da facção.
As diligências continuam com a análise dos materiais apreendidos e informações obtidas por meio das medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
Esta operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, inserido na Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, que visa enfrentar as facções criminosas em todo o estado.