A Polícia Civil deflagrou, na manhã da quinta-feira, 25 de junho de 2026, a Operação Falsa Vantagem, com o objetivo de cumprir ordens judiciais em investigações referentes a um grupo suspeito de participar de um esquema de influência ilícita em decisões do Poder Judiciário mediante o pagamento de valores em dinheiro.
Durante a ação, foram executados cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, autorizados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias - Polo Cuiabá, apoiados nas apurações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).
As investigações têm como foco a atuação de uma organização criminosa que prometia influência em decisões judiciais mediante vantagens indevidas, com indícios de prática dos delitos de extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa.
Entre os investigados estão um advogado, bacharéis em Direito, um policial penal e uma servidora pública do Poder Judiciário. A operação visa esclarecer as dinâmicas dessas práticas ilícitas, verificar se elas ocorriam de forma habitual, identificar o período em que o grupo iniciou suas atividades e localizar outras possíveis vítimas.
Segundo o resultado das apurações, o grupo prometeu a familiares de um condenado a anulação da pena imposta pela Justiça, alegando ter influência junto à servidora responsável pelas decisões judiciais e exigindo o pagamento de 150 mil reais em espécie para assegurar a concessão do benefício.
A escolha pelo pagamento em dinheiro foi uma tentativa de dificultar o rastreamento financeiro dos valores envolvidos. Contudo, a manobra resultou apenas na diminuição da pena do condenado, e não na anulação integral, conforme havia sido prometido.
Insatisfeito com o desfecho, o beneficiário passou a solicitar a devolução da quantia paga, fato que também está sendo investigado pelas autoridades.
De acordo com o delegado responsável pela operação, Marlon Luz, os mandados têm como finalidade recolher aparelhos celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos e para a identificação de outros envolvidos.
O nome da operação, “Falsa Vantagem”, faz referência à promessa fraudulenta de influência sobre decisões judiciais em troca de pagamentos, que gerava nas vítimas a falsa expectativa de que poderiam garantir um resultado favorável no âmbito do Poder Judiciário.
As investigações seguem para determinar a extensão do esquema criminoso, localizar outras possíveis vítimas e individualizar a participação de cada investigado no grupo.
A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus, que faz parte do Programa Tolerância Zero, destinado a combater a atuação de grupos criminosos em todo o estado.