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Polícia Civil desmantela núcleo financeiro de facção criminosa na região de Cuiabá

Mandados são cumpridos contra membros que usavam empresas de fachada para movimentar dinheiro do tráfico

02/07/2026 às 16:32
Por: Redação

Na manhã de quinta-feira, 2 de julho de 2026, a Polícia Civil de Mato Grosso realizou a segunda etapa da Operação Golden, cumprindo mandados judiciais em continuidade às investigações sobre a atuação de uma facção criminosa envolvida nos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

 

Durante esta fase da operação, foram executadas 14 ordens judiciais, que incluem cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, oito bloqueios de contas bancárias e ativos financeiros que totalizam até 283,5 mil reais, além de uma medida cautelar distinta da prisão. As determinações foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias Polo de Cuiabá.

 

O cumprimento das ordens ocorreu em diversos municípios, tais como Várzea Grande, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra e também em Itabela, no estado da Bahia.

 

A operação foi conduzida com base nas investigações da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) e contou com o apoio operacional da Delegacia Regional de Polícia de Pontes e Lacerda, da Delegacia de Polícia de Tangará da Serra e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil da Bahia.

 

Dentre os alvos das ordens judiciais, encontra-se um detento atualmente preso em São Paulo, com mandado de prisão oriundo da Justiça de Mato Grosso. Este investigado possui um extenso histórico criminal no estado, envolvendo tráfico de drogas, homicídio e outros crimes.

 

O propósito principal desta segunda fase é a desarticulação do núcleo financeiro da facção, atacando diretamente a base econômica que sustenta suas atividades ilícitas.

 

Detalhes da fase inicial da Operação Golden

 

A fase inicial da operação foi deflagrada em 13 de março de 2025, quando foram cumpridas 18 ordens judiciais, englobando mandados de busca e apreensão, prisões preventivas e bloqueios patrimoniais relacionados a investigados nos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.

 

As investigações da Denarc começaram a partir da prisão em flagrante de um casal envolvido com o tráfico. Com o avanço das diligências, os agentes identificaram que os criminosos utilizavam contas bancárias de terceiros e um estabelecimento comercial para ocultar e movimentar recursos provenientes da venda de entorpecentes.

 

Na sequência da primeira fase, foram apreendidos mais de 692 mil reais em espécie e 222 mil reais em cheques durante buscas na cidade de Cáceres, além do bloqueio de valores significativos nas contas bancárias dos suspeitos.

 

Investigações financeiras e lavagem de dinheiro

 

As apurações continuaram, possibilitando a identificação de novos membros da facção e o mapeamento ampliado da estrutura financeira utilizada para movimentar os recursos ilegais.

 

Por meio desses elementos, foi possível realizar uma investigação financeira que revelou movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos envolvidos, além do uso de empresa de fachada.

 

Conforme levantamento da Denarc, uma empresa registrada em nome de um dos investigados, sem histórico empresarial relevante e com renda declarada modesta, movimentou mais de 600 mil reais ao longo de apenas dois meses, sem possuir lastro econômico para justificar tais valores.

 

A apuração também detectou transferências financeiras entre pessoas apontadas como integrantes da facção, incluindo suspeitos com antecedentes por tráfico de drogas e envolvimento em facções criminosas.

 

Segundo o delegado André Rigonato, responsável pelo inquérito, foram identificados repasses para a empresa que apresentou indícios de funcionamento incompatíveis com a atividade declarada, reforçando a suspeita de que pessoas físicas e jurídicas estavam sendo usadas para ocultar e dissimular valores provenientes do tráfico.

 

“As medidas cautelares patrimoniais têm como finalidade impedir a ocultação ou dissipação de ativos supostamente oriundos da atividade criminosa, preservar elementos de prova e assegurar eventual reparação dos danos e perdimento de bens ao final da persecução penal”, destacou o delegado.

 

As novas medidas cautelares deferidas pelo Poder Judiciário foram fundamentadas nesses elementos. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares, computadores, documentos e outros materiais que passarão por análise pericial para auxiliar na continuidade das investigações.

 

As investigações permanecem em andamento, podendo resultar na identificação de novos envolvidos e na adoção de outras medidas judiciais.

 

Plano estratégico e combate às facções

 

A Operação Golden integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus, que faz parte do Programa Tolerância Zero, dedicado ao combate das facções criminosas em todo o estado.

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