A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu em flagrante, na manhã de domingo, 31 de maio, um homem de 42 anos que trabalhava como plantonista em uma clínica no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá. Ele foi autuado pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual, tendo como vítima o interno Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos.
A Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá foi inicialmente acionada para investigar um suposto suicídio por enforcamento. Ao chegarem ao local, os investigadores encontraram a vítima sem vida, com evidentes marcas de corda no pescoço.
O indivíduo detido, único responsável pelo plantão noturno na ala que abriga outros 42 internos, apresentou uma versão inicial dos fatos, alegando que Alessandro teria tirado a própria vida por enforcamento na janela do quarto. Contudo, a equipe da perícia técnica, ao analisar a cena, identificou diversas inconsistências entre os vestígios materiais encontrados e a narrativa fornecida pelo plantonista.
Diante das contradições evidentes, a equipe policial intensificou as investigações, realizando novas entrevistas com internos e funcionários da clínica. Essa etapa do levantamento de informações levou à prisão do suspeito.
Em seu interrogatório na delegacia, o plantonista confessou ter forjado a cena do crime. Ele também admitiu ter solicitado a uma testemunha, que era outro interno e suposto funcionário da clínica, que confirmasse sua versão falsa. No entanto, a testemunha negou o pedido e expressou grande temor por sua integridade física, manifestando receio de possíveis represálias por parte do autor.
Com base nas entrevistas realizadas, na confissão da fraude processual e nas análises preliminares das perícias, a Polícia Civil conseguiu reconstruir a provável dinâmica dos acontecimentos. Durante a madrugada do domingo, 31 de maio, o investigado, cuja possível ajuda de terceiros ainda está sob apuração, conteve a vítima, que se encontrava em estado de alteração.
A contenção foi realizada por meio da aplicação de um golpe “mata-leão” ou, alternativamente, com o uso da própria corda que havia sido levada para amarrar o interno. Após imobilizá-lo, o plantonista amarrou Alessandro com os braços para trás. Em seguida, ele trancou a vítima no quarto junto com outros internos e não retornou para verificar seu estado, encontrando-o já sem vida apenas na manhã seguinte.
As investigações na delegacia levaram à conclusão preliminar de que o próprio plantonista foi o provável autor direto do enforcamento que resultou na morte de Alessandro, utilizando a corda que estava sob seu controle exclusivo.
Em uma análise subsidiária, mesmo que não tenha apertado o laço diretamente, o investigado, em sua função de garantidor da integridade do interno, conforme o artigo 13, parágrafo 2º, do Código Penal, assumiu o risco do resultado morte ao abandonar a vítima completamente imobilizada e indefesa.
“Aguarda-se, agora, a conclusão dos laudos periciais definitivos, em especial os exames de necropsia, local e local de crime, para que se possa confirmar ou até melhorar a dinâmica dos acontecimentos, bem como estabelecer, com maior precisão técnica, o exato mecanismo do óbito e a efetiva participação do autuado, e até outros envolvidos, na consumação do homicídio,” afirmou o delegado Michael Paes.
Após a prisão, o autuado foi encaminhado à DHPP, onde foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante pelos crimes de homicídio doloso consumado, previsto no artigo 121, caput, do Código Penal, e fraude processual, conforme o parágrafo único do artigo 347 do Código Penal.
A autoridade policial solicitou a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva. Essa medida foi justificada pela gravidade concreta da conduta do suspeito e pelo risco de obstrução da instrução criminal, evidenciado pela tentativa de forjar um suicídio e de coagir testemunhas.
O inquérito policial permanece em andamento, com o objetivo de elucidar completamente os fatos. As investigações prosseguem para apurar detalhadamente todos os aspectos do caso, incluindo a possível participação de terceiros no crime.