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Pesquisa da UFMS aprimora exames periciais na Polícia Científica de MS

Parceria entre UFMS e Polícia Científica amplia técnicas laboratoriais e qualifica formação acadêmica

18/06/2026 às 18:36
Por: Redação

Em Mato Grosso do Sul, a colaboração entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Polícia Científica (PCi-MS) tem impulsionado avanços significativos nos exames periciais, ao integrar conhecimento acadêmico e técnicas laboratoriais oficiais. Esse intercâmbio proporciona aos estudantes experiências práticas na área forense e promove o desenvolvimento de métodos aplicados diretamente na análise criminal.

 

Em 2019, durante sua graduação em Química Tecnológica na UFMS, Brenda Pache Moreschi realizou estágio voluntário no Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, especificamente no laboratório de química e toxicologia. Essa vivência aproximou-a do ambiente pericial, que exige rigoroso método, rastreabilidade e responsabilidade na análise das provas.

 

Além de orientar seu trabalho de conclusão de curso, essa experiência abriu caminho para que Brenda seguisse no mestrado e doutorado, desenvolvendo sua carreira na área de cromatografia, técnica essencial para separar, identificar e quantificar substâncias em amostras. Seu percurso exemplifica o impacto da parceria entre a universidade e a Polícia Científica, que permite transformar demandas laboratoriais em pesquisas aplicadas.

 

Entre os projetos realizados nesse contexto está a investigação da bromadiolona, um componente presente em rodenticidas usados no controle de roedores. A pesquisa desenvolveu uma metodologia capaz de detectar essa substância em amostras biológicas e forenses, o que tem sido aplicado para analisar conteúdo gástrico de cães e gatos suspeitos de envenenamento.

 

Evandro Rodrigo Pedon, chefe da Divisão de Química e Toxicologia (DQT) do IALF, destaca a utilização da técnica no apoio às investigações oficiais, fornecendo elementos técnicos para confirmar a presença de bromadiolona e subsidiar os casos encaminhados à perícia.

 

Oficializada em 2021, a cooperação entre a Polícia Científica, vinculada à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), e a UFMS vem completando cinco anos e abrange várias áreas da perícia. No IALF, essa interação se intensifica na DQT, que mantém diálogo constante com o Instituto de Química (Inqui) da universidade.

 

Brenda retornou ao laboratório em 2021 para realizar o estágio obrigatório, período em que desenvolveu um trabalho de conclusão focado na validação de método analítico por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, destinado a identificar cocaína em materiais apreendidos no estado.

 

Segundo a diretora do IALF, Josemirtes Socorro Prado da Silva, a aproximação entre a DQT e a universidade ocorre em dois eixos principais: pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico, focados na pós-graduação, além do estágio supervisionado para estudantes de Química e Farmácia-Bioquímica.

 

Essa interação propicia aos estudantes e pesquisadores o contato direto com matrizes complexas, processos laboratoriais oficiais e as exigências da cadeia de custódia, que assegura a integridade das provas desde a coleta até a elaboração do laudo pericial. O Inqui contribui com a orientação acadêmica, desenvolvimento científico e aprimoramento das metodologias analíticas.

 

A produção científica é um dos resultados destacáveis dessa cooperação. Conforme informa a diretora do IALF, os estudos realizados englobam trabalhos de conclusão, dissertações de mestrado, teses de doutorado e artigos publicados em periódicos internacionais, todos contribuindo para a melhoria das metodologias utilizadas na rotina pericial.

 

O professor adjunto do Inqui, doutor Bruno Gabriel Lucca, orienta pesquisas no âmbito da parceria e estima cerca de dez projetos finalizados ou em andamento nesse período de colaboração. Ele ressalta que os métodos desenvolvidos durante as pesquisas são empregados pelos peritos na elaboração dos laudos oficiais.

 

A publicação dos resultados em revistas científicas internacionais ultrapassa o reconhecimento acadêmico, pois documenta o desenvolvimento dos métodos, submete os achados à avaliação da comunidade especializada e permite o intercâmbio entre a perícia oficial e pesquisadores de outras instituições.

 

No caso da bromadiolona, destaca-se um artigo que descreve um método eletroquímico portátil e de baixo custo para triagem da substância em amostras forenses, ilustrando como um problema técnico identificado no laboratório pode ser investigado na universidade e retornado ao serviço público como recurso valioso nos exames.

 

Outros estudos envolvendo substâncias de interesse forense, como praguicidas e canabinoides sintéticos, também foram produzidos na parceria, ampliando o acervo técnico da Polícia Científica, registrando metodologias e fortalecendo o embasamento científico dos exames que fundamentam os laudos periciais.

 

Para Brenda, a experiência no laboratório foi decisiva em sua trajetória acadêmica e profissional. Após o estágio, concluiu o mestrado em Química Analítica na UFMS e continua no doutorado na mesma área, além de atuar como gerente técnica em empresa de análises ambientais. O aprendizado em cromatografia transformou suas perspectivas e oportunidades de carreira.

 

“Tornar-me cromatografista abriu portas que eu não imaginava que um dia poderiam se abrir”

 

Considerando a condição do estado como fronteira, a diversidade de substâncias encaminhadas à PCi-MS e o surgimento constante de novas drogas sintéticas, a atualização permanente dos métodos laboratoriais é indispensável. Nesse cenário, o diálogo com a universidade permite estudar, testar e documentar procedimentos que são incorporados ao serviço público para apoiar os exames periciais.

 

O benefício para a Justiça e para a população está na produção de elementos técnico-científicos que podem esclarecer suspeitas, orientar investigações e fundamentar laudos periciais com maior precisão e segurança.

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