Na tarde desta segunda-feira, 1º de junho de 2026, teve início na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, o Programa (re)Conexões, uma ação itinerante promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) destinada a fortalecer o Sistema Nacional de Museus, implementar o Sistema de Participação Social e normatizar o Fórum Nacional de Museus, cuja realização está prevista para novembro do mesmo ano.
O evento tem como objetivo principal fomentar o diálogo entre o poder público e a sociedade civil, com o intuito de traçar os caminhos futuros para os museus brasileiros e as políticas relacionadas à memória. Para isso, os participantes foram organizados em três grupos de trabalho que seguem uma metodologia desenvolvida pelo Ibram, com o propósito de identificar pontos que necessitam de aprimoramento e processos passíveis de ampliação.
Um dos assuntos em pauta é a reestruturação do Sistema Nacional de Museus, que visa expandir a participação de instituições e profissionais do setor museológico, além de tornar os procedimentos de adesão e atuação mais acessíveis. Outro tema abordado é o Sistema de Participação Social, que busca construir modelos de governança capazes de integrar a sociedade civil, os trabalhadores dos museus e o poder público. Também está em discussão a normatização do Fórum Nacional de Museus, contemplando critérios para participação e a organização das plenárias.
A coordenadora de Participação Social do Ibram, Vera Lúcia Mangas da Silva, ressaltou que as contribuições geradas pelos grupos de trabalho serão compiladas em cadernos de pautas, que servirão como base para as próximas etapas do processo, que incluem o debate e a oficialização das propostas.
“As discussões vão acontecendo e a gente vai registrando os pontos-chave para que, a partir de toda essa colaboração, possamos desenvolver uma sistematização das contribuições apresentadas pelos grupos.”
O Programa (re)Conexões, criado em 2012, tem a finalidade de realizar uma escuta democrática no campo museológico nacional, subsidiando a formulação de políticas públicas para o setor. Ele consolidou-se como um espaço permanente de diálogo entre Estado e sociedade civil, incentivando a articulação, mediação, qualificação e cooperação entre instituições, entidades e coletivos.
Uma característica marcante do programa é sua itinerância por diferentes estados e regiões do Brasil, o que permite superar um dos principais desafios para a participação social nas políticas museais: a descentralização e regionalização dos debates. Dessa forma, garante-se que representantes de diversas localidades possam contribuir para a construção de uma museologia mais plural e inclusiva.
Segundo a presidenta do Ibram, Fernanda Santana Rabello de Castro, esta é a primeira edição do Programa (re)Conexões realizada em Mato Grosso do Sul, oportunidade em que agentes culturais do setor museológico regional puderam oferecer suas orientações e opiniões.
“Estamos sempre prontas a defender essa política pública de participação, a fazer com que ela se implemente, a avaliar, a monitorar, a cobrar do poder público e também da sociedade que se mobilize quando necessário. Esse espaço é o Fórum Nacional dos Museus e precisamos discutir qual é a sua realidade e de quanto em quanto tempo ele deve acontecer. Os encontros do (re)Conexões em 2025 e 2026 servem para essa construção coletiva. Nossas atividades e entregas não encerram por aqui. Estamos construindo essa transformação de mãos dadas, com perseverança e contando com a continuidade das políticas públicas.”
O diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes, ressaltou a importância da participação tanto de gestores quanto da sociedade na formulação de políticas públicas duradouras para os espaços dedicados à memória.
“Nossos colaboradores não pouparam esforços para ajudar nessa reconstrução dos (re)Conexões. Estamos vivendo um momento importante para a cultura, com a preocupação de deixar legados, projetos e sistemas estruturados. O mais importante é construir uma linha forte e resistente, que não possa ser quebrada. Essa união entre o poder público e a participação popular é fundamental para que isso aconteça.”
O evento se estende até terça-feira, 2 de junho. A agenda inclui, das 9h às 11h, a oficina “Plano Museológico”, que será realizada no Teatro de Bolso, localizado no bloco da FAENG. Às 11h, haverá o encerramento oficial, previsto para ocorrer no Auditório da Casa da Ciência da UFMS. No período da tarde, entre 13h30 e 16h, a programação contempla a atividade “Campo Grande de Portas Abertas”, que oferece um roteiro de visitação aos museus da capital sul-mato-grossense.