Terça, 28 de Julho de 2026
LogoSite 1 - Florianopolis hmlg1

Hospital Regional de Dourados inaugura ressonância magnética e reduz longas esperas no SUS

Equipamento novo no HRD beneficia pacientes rurais e de 34 cidades, diminuindo viagens e acelerando diagnósticos

22/06/2026 às 13:15
Por: Redação

A chegada do primeiro aparelho de ressonância magnética à rede pública do Hospital Regional de Dourados tem transformado a vida de pacientes de 34 municípios do Cone Sul, ao diminuir deslocamentos e encurtar esperas que se estendiam por anos para exames essenciais no Sistema Único de Saúde.

 

Moradora da zona rural e paciente em tratamento por artrose no joelho, Adelina Sales enfrentou uma longa jornada para realizar a ressonância que aguardava há cerca de quatro anos. Sua viagem iniciou à meia-noite e, após percorrer a estrada, chegou ao hospital por volta das sete da manhã. Para ela, a realização do exame não significou apenas um procedimento, mas o fim de uma demora que atravessou anos.

 

“Levantamos meia-noite para poder estar aqui. Saímos de casa às três da manhã e chegamos quase às sete. Foi cansativo, mas graças a Deus deu tudo certo”, contou. “A gente mora na roça e ficava esperando, esperando, e nunca saía. Agora saiu, graças a Deus.”

 

A instalação do equipamento no Hospital Regional de Dourados, que entrou em operação em 27 de abril, amplia o atendimento para uma macrorregião composta por 34 municípios do Cone Sul. Com capacidade para aproximadamente 500 exames mensais, o serviço evita que pacientes dependentes da rede pública precisem se deslocar para outros centros para realizar exames de alta complexidade.

 

Além de encurtar distâncias, o serviço mudou a percepção de pacientes acostumados à vida rural, que nem sempre se sentiram acolhidos nos serviços de saúde. Adelina destacou o atendimento recebido no hospital, ressaltando a agilidade e o respeito diferenciado em relação a seu contexto.

 

“Tem lugar que parece que a gente é tratada diferente porque é da roça”, desabafou. “Cheguei e já vieram pegar meus documentos, me encaminharam rápido, os médicos atenderam muito bem. Fui muito bem tratada.”

 

Outra paciente beneficiada com o serviço é Luciene de Medeiros, residente em Itaporã, que convive com bursite e rompimento dos tendões dos ombros. Ela aguardava uma ressonância magnética desde 2019 e só em 2023 teve o exame solicitado para dar continuidade ao tratamento e confirmar a necessidade de cirurgia.

 

“Esse exame que vim fazer hoje já estava esperando há mais de dois anos”, afirmou.

 

No contexto do SUS, a demora para a realização de exames especializados pode acarretar sofrimento prolongado, dificuldade no trabalho, perda de mobilidade e atraso em decisões médicas. A ressonância magnética é crucial, especialmente em ortopedia, pois permite avaliações detalhadas das articulações, músculos, tendões, ligamentos, coluna e demais estruturas corporais. Sem ela, muitos pacientes ficam em um limbo entre a suspeita clínica e a definição do tratamento.

 

Luciene acredita que a instalação do aparelho no Hospital Regional de Dourados reduzirá o tempo de espera para muitas pessoas na mesma situação, especialmente para quem não pode arcar com custos do exame em clínicas particulares.

 

“Se depender de pagar, muita gente nunca consegue fazer. Então isso aqui faz diferença demais para a população”, disse. “Já é a terceira vez que venho aqui e continuo achando maravilhoso. A estrutura é muito boa e os aparelhos ajudam bastante.”

 

O investimento para aquisição do equipamento foi de sete milhões e quinhentos mil reais, realizado pela Secretaria de Estado de Saúde. Este recurso reforça a capacidade diagnóstica da rede pública regional, atendendo a uma demanda histórica que obrigava pacientes a esperar vagas em outras localidades ou a enfrentar viagens extensas para realizar o exame.

 

Para o médico João Hoffmann, integrante da equipe do Hospital Regional, o novo serviço contribui diretamente em especialidades que dependem da ressonância magnética para diagnóstico e definição terapêutica. Ele ressaltou o fortalecimento da ortopedia de alta complexidade, atendendo questões relacionadas a coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além do suporte em cirurgias do aparelho digestivo e outras avaliações diagnósticas necessárias na rede pública.

 

“A ressonância vem para somar à ortopedia de alta complexidade, com atendimentos voltados para coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em cirurgias do aparelho digestivo e outros métodos diagnósticos necessários dentro da rede”, explicou.

 

Na prática, a disponibilidade do aparelho no Hospital Regional de Dourados transforma uma etapa crucial do cuidado em saúde: o intervalo entre a manifestação da dor, a suspeita médica e a confirmação diagnóstica. Especialmente para pacientes do interior, esse período costumava envolver deslocamentos longos, despesas indiretas, perda de dias de trabalho e dependência de transporte público ou privado. A oferta local do exame transforma a tecnologia em efetivo acesso à saúde.

 

Para Adelina, o significado é claro após anos de espera: embora a ressonância não cure a doença ou conclua o tratamento, representa uma oportunidade para avançar com maior clareza sobre sua condição corporal e a sensação de que sua espera finalmente teve resposta.

 

© Copyright 2025 - Site 1 - Florianopolis hmlg1 - Todos os direitos reservados